Vinte e quatro anos de espera: A Grandiosa Argentina

| por Paulo Moraes |


Tinha apenas quatro anos quando a Argentina foi Campeã Mundial de Futebol. Coincidentemente, foi no México e havia um Deus em campo, porém este estava mais para povo que Deus. 

Sempre cresci ouvindo que devíamos odiar os e as argentinas e por certo tempo fui convencido disso: não podemos perder nem em bolinha de gude para os nossos hermanos argentinos. E sempre ouvindo isto de forma mais calorosa da boca de Galvão Bueno seja qual fosse a competição que ele narrasse entre ambas as seleções. Mas algo me veio à cabeça em algum lugar que não tenho como me lembrar neste momento: Por que odiar a Argentina?



Fui aos livros de história para ver o sentido desse ódio e acabei por achar muito mais interrogações que afirmações. No inicio tudo era muito parecido na forma da colonização, porém uma feita pelos portugueses e a outro pelos espanhóis. Nós fomos divididos inicialmente em dois vices reinos, Brasil e Grão Pará Maranhão e o lado espanhóis foi subdividido em vários vices Reinos, entre eles o território que conhecemos hoje enquanto Argentina. A questão é que as reformas pombalinas do século XVIII que unificaram o nosso território em um só vice-reino, o do Brasil, só foram para as colônias portuguesas, o que modifica toda a forma de independência do Brasil com os demais países latinos.


Enquanto em toda a América do Sul os setores dominantes constituíam Repúblicas, o Brasil preferiu a Monarquia dos Orleans e Bragança, pois isso garantiu o seu grande trunfo em relação aos demais, a manutenção da sua unidade territorial e política o que o colocava como potência em relação aos nossos hermanos. E diante disso nosso parceiro na nova empreitada histórica foi a terra da Rainha e o sonho de Bolívar de ver uma América unida ainda não prosperou: preferimos falar inglês ao espanhol e diante disso ter uma outra relação com nossos Hermanos.


E o futebol, o que tem haver com isso? Tem tudo, pois é nele que hoje os interesses dos dominantes do passado se mantém para que não andemos de mãos dadas com a América Latina na construção de outro projeto de vida. Aqui precisamos antes de tudo de desmistificar algo, torcer pela Argentina não é a mesma coisa de torcer por um time rival do mesmo estado, como no meu caso de torcer pelo Vitória da Bahia, quando enfrenta times do centro sul do país, pois torcer pelo Bahia é ser anti-vitória, é essa nossa construção do dia a dia, pois é onde o contato está restrito a esta relação do futebol, mas o futebol não é uma única relação, não existe apenas esta forma de amar o Futebol, ele é mais amplo.


A construção do ódio aos Argentinos não pertence a nós, pertence a quem tenta construir para que não pensemos na nossa unificação, para que não falemos espanhol e a língua é uma das formas mais importantes para esse reencontro. Vamos fazer uma reflexão sobre tal assunto e ver que isto não nos pertence e que diante disso precisamos de forma conjunta saber o que nos pertence e para que, pois assim talvez um dia sejamos livres.


Diante disso, torcer para Argentina tem que ser mais que ser Anti-galvão, é gostar do futebol arte, uma Seleção que joga para vencer, e mesmo que tome três em Rosário do futebol burocrata de Dunga, 1982 foi a vitória de quem sobre quem? Vamos ver Tevez enlouquecer a zaga adversária, Messi arrancar de forma estupenda e ver no banco o Maior Jogador de Futebol após a Era Pelé calar os que o odeiam por ele ser ele mesmo. Quem teve a ajuda divina para ir a uma final e no mesmo jogo o brindou com o maior gol de todas as Copas pode aprontar mais uma vez.


Estaremos de Azul e Branco para ver a estréia da Argentina dia 12 de junho, um sábado pela manhã, na República Revolucionária Fundo do Mar contra a seleção Nigeriana, depois dia 17 uma quinta pela manhã contra os Coreanos do sul e finalizando a primeira fase assistiremos dia 22 o confronto contra os Gregos pela tarde. E lá só tem um canto:

 - Avante Argentina!


2 comentários:

25 de março de 2010 05:51 Ederval Fernandes disse...

Boa, Lúcius. Falta Messi acertar o pé na seleção. No Barça ele está comendo a bola.

Só uma ressalva: o jogo Argentina x Brasil em Rosário foi fantástico, tanto que eu baixei o jogo e o assisto repetidas vezes como a um filme. Até que o Brasil não foi tão burocrático assim não. Ao menos nesse jogo.

27 de março de 2010 06:05 Marcos disse...

Confesso que, se los hermanos desenvolverem um futebol bonito, terão minha torcida, assim como na copa de 98: Argentina X Inglaterra.

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