Os Comunas voltam à Copa



| por Paulo Moraes |


1966 é um ano que os Norte-coreanos nunca esquecerão. Talvez esta copa relembre os melhores dias de uma disputa que o colocou na posição que está. Ao fim da II Grande Guerra (Na verdade esta pode ser chamada de “I Grande Guerra”, pois o conflito anterior que leva este nome estava muito mais para uma questão local que mundial) a Coréia foi dividida, como a Alemanha, de um lado um território ligado ao Estados Unidos e o outro à União Soviética, devido à ocupação do Japão no início do século XX em um enfrentamento com a então Mãe Rússia.



A 25 de julho de 1950 iniciava a guerra da Coréia – até hoje ambas permanecem em Guerra, pois ainda hoje não foi assinado qualquer tratado de paz entre elas. Guerra instigada pela correlação de força mundial, então dividida entre o Bloco Capitalista e o Bloco Socialista, liderados respectivamente pelos países supracitados, enquanto detentores das regiões divididas. A lastimável vida do Socialismo Real (precisamos aqui não cair no senso comum de achar que todas as experiências socialistas no mundo contemporâneo foram iguais, temos que ter a atenção para a forte influência da União Soviética nestes processos e ainda entender que a Revolução de 1917 foi enterrada pela era Stalinista) levou para a atual condição do país, conhecido como o mais fechado do mundo. Mas aqui falaremos dos que fazem com a bola nos pés a felicidade de um povo que pouco sabemos e a culpa não é só deles.

Voltando a 1966, foi uma Copa inesquecível, daquelas que ficam marcadas por diversos fatos: bola que não entrou e foi gol em plena final de Copa, Pelé de joelhos a um negro português que fez o mundo enlouquecer e uma pequena seleção que fez dois jogos para entrar na história das Copas – era ela a Coréia do Norte.

Naquela época eram apenas 16 seleções, em quatro grupos de quatro e a Coréia estava ao lado de União Soviética, que perdeu por 3 a 0, em seguida empatou com os Chilenos em 1 a 1 e por fim a primeira grandiosa partida: os guerreiros comunistas venceram por apenas um tento a zero os bicampeões mundiais e os eliminavam e com isso avançavam para as quartas de finais, nesta copa outra Seleção bicampeã também ficava na primeira fase e era os Canarinhos da era Pelé.


No dia 23 de julho, na terra dos Beatles, aconteceria um jogo para a história das Copas, mas não só para as Copas e também para aquelas duas seleções. Os Guerreiros Comunistas enlouqueceram o mundo com aquele primeiro tempo, três a zero nos portugueses que haviam eliminados nossa seleção Canarinho, mas o futebol é fantástico e o Craque que não engana Geral apareceu em campo – seu nome: Euzébio. Quatro gols, dois ainda no primeiro tempo e o restante na segunda etapa de jogo. Ao fim Cinco a Três para os portugueses que com isso seguiam as semifinais, mas os Guerreiros Comunistas foram recebidos como reis em seu humilde país por façanha tão grandiosa, que só o futebol pode proporcionar.



Hoje a Coréia do Norte vem fazendo muitos amistosos, quase todos com seleções de pequeno porte para conseguir ter um bom ritmo de futebol, teve algumas desventuras na sua vinda à América Latina e teve um resultado razoável para as condições. 2010 não é muito diferente de 1966 e com isso a zebra pode surgir em campo, e novamente ser vermelha e derrubar o gigante amarelo em sua estréia. Sei que é difícil, mas estarei com minha camisa da zebra dos anos de 1980 esperando que ela surja e faça o futebol burocrata de Dunga desmoronar aos pés dos comunistas. Acredito que toda repetição histórica é um tragédia, mas esta será de Galvão Bueno.



4 comentários:

11 de março de 2010 21:55 Renato Moss disse...

ehauiheiuheuaheuehuie!!! Se a seleção da coréia fosse um bicho, seria um saqué!!

Uyatã

13 de março de 2010 19:21 Marcos disse...

No embalo do Oscar: um filme interessante sobre a relação conflituosa entre as duas coréias é JSA, vale a pena.
Mas, e se os jogadores norte coreanos não voltassem para seu país? Acho que vão fazer como alguns cubanos no pan do rio...

15 de março de 2010 13:03 Paulo Moraes disse...

Difícil caro Marcos, pois os grandes empresarios que assediam os e as Cunanas só querem os melhores do mundo, eles não fogem por que não concordam com Cuba e sim pelos milhões que são oferecidos a eles, mas que não oferecem a qualquer outro. Já os jogodares Norte-coreanos não são os melhores, mas darão trabalho.

19 de março de 2010 20:24 Marcos disse...

Mas Paulo vc esquece que não só atletas fogem de Cuba. Os americanos ficam loucos com tantas embarcações e bahnheiras que chegam carregadas de cubanos cansados da ditadura dos Castros. Que venha logo a Democracia cubana!

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