Pôquer na Feira

| por Uyatã Rayra |


Ouvir a palavra “pôquer” deve ser impactante para algumas pessoas. Antes de 2005, essa mesma palavra remeter-me-ia a um turbilhão de magníficas associações: dinheiro, clandestinidade, cassinos, bordéis, elegância, uísque, charutos e afins. Não por acaso eu pensava assim: fui influenciado enormemente por Hollywood - “Maverick” e “Cartas na mesa” foram as maiores referências do pôquer até os meus 19 anos. Hoje, devo a tais filmes  minha eterna gratidão por ter despertado em mim a curiosidade de desvendar toda a mística que circunda esse jogo. 


O pôquer ainda carrega consigo um alto grau de mácula nas percepções da sociedade: as pessoas crêem cegamente que os jogadores, quando não mais tiverem o que apostar, lançarão em jogo a casa, a mobília, o carro, a mulher ... Não direi que isso seja impossível, apenas não presenciei ainda tais acontecimentos. Até o maior “mão-de-vaca” corre perigo, e como prova disso posso citar o confisco das poupanças pelo Plano Collor, que levou várias pessoas avessas ao risco a se suicidarem. Há dois anos atrás, a SBT em parceria com a Copag tentaram desmistificar e popularizar o jogo no Brasil, transmitindo as reprises do Torneio Mundial de Poker. Hoje, podemos ver a mesma tentativa no comercial da Nova Schin.


Jogar pôquer não consiste somente em ter sorte ou azar, como muitos proferem por aí. Geralmente, os que ganham com freqüência lêem vários artigos sobre pôquer, detém algum conhecimento estatístico, são corajosos, estrategistas e têm muita paciência. Se o competidor não possuir nenhuma dessas virtudes, raramente a sorte estará ao seu lado. Tais características fazem com que os entusiastas prefiram associar o pôquer a um esporte, do que a um mero jogo de azar.

Já cheguei a pensar que nunca iria jogar pôquer em Feira de Santana, e que, se um dia eu viesse a aprender teria que me deslocar até o Uruguai - localidade mais próxima na qual os cassinos não são ilegais. Em 2006 fui contrariado por um amigo meu, André Azais, que me revelou a existência de uma mesa de pôquer lá na Mangabeira, na qual ele jogava todas as sextas à noite – imediatamente convidei-me. Foi desconcertante para mim não presenciar aquele esplendor cinematográfico: a mesa não era verde, não havia fichas coloridas, uísque, charutos, muito menos jogadores com semblantes de criminosos. Era uma mesa amadora, enfim, nada hollywoodiana. 


Em quatro anos, a mesa da Mangabeira cresceu, evoluiu e hoje está quase extinta. Dois dos seus mais ilustres jogadores foram tão seduzidos pelas benesses do pôquer on line que um deles largou o trabalho para viver da jogatina, e outro ganha mais de U$ 4000,00 dólares por mês. Contudo, o pôquer ao vivo feirense não morreu, pelo contrário, conheço mais de quarenta pessoas que o jogam regularmente.  Há três meses, tive a notícia que havia uma Comunidade Feirense de Poker, e fui conferir. Ao chegar, percebi que a maioria dos participantes da comunidade já eram velhos conhecidos meus, assíduos freqüentadores do bar Jeca Total. 


Embora a Comunidade tenha apenas seis meses de criação, sua estrutura e organização é explicitamente superior em comparação à primeira mesa com a qual tive contato.  Além de ter um regulamento conciso com a definição das regras do jogo e do recinto, a Comunidade conta com uma mesa apropriada, além de 4 kits de fichas. Os torneios são mensais, e há um rankeamento para premiação do melhor do ano – sábado passado aconteceu a 5ª etapa do circuito anual. Em conversa com Matheus Barros, presidente da Comunidade, ele adiantou-me que outra mesa está sendo confeccionada, e que a próxima etapa talvez não ocorra na sua casa, mas sim num local a ser alugado pela Comunidade. Creio que alguns outros ajustes ainda tenham que ser feitos para que a Comunidade Feirense de Poker aperfeiçoe a promoção do pôquer na nossa cidade - nada que o tempo não possa resolver ...

Fico feliz por poder acompanhar ativamente o desenvolvimento do pôquer feirense, e conclamo os jogadores ocultos, para que saiam à luz do sol e venham se juntar a nós para fortalecer o cenário. Quem se interessar em aprender, estaremos à disposição para ensinar.

Para os que querem aprender os preceitos básicos do jogo: http://www.universidadedopoker.com/melhores-maos-iniciais-do-poker.php

Aos que quiserem conhecer a Comunidade Feirense de Poker: http://www.comunidadefeirensedepoker.blogspot.com

Caso queiram jogar on line, com ou sem dinheiro: http://www.pokerstars.com

4 comentários:

5 de março de 2010 09:40 Matheus Barros- CFP disse...

Primeiramente agrader pelo texto, primeiro pelo carater de esclarecimento, de tentar mostra uma realidade do pôquer na cidade e segundo pelo carater de divulgação, então a galera que quiser socializar o hobby é so entra em contato. Abraços

7 de março de 2010 15:28 Phantom disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
7 de março de 2010 17:02 Phantom disse...

Lembrando que como o Matheus disse Poker em feira é so um hobby num é visando somente o dinheiro é local sem intrigas sem discurções é lazer no momento que começa ate o momento q acaba Por issu faço parte orgulhosamente da CFP (comunidade feirense de poker)

9 de março de 2010 04:11 André do Carmo disse...

Maravilhoso, Perfeito esse texto.
Uyatã, eu sou seu fãn cara...é inévitavel quem tenha conhecido o saudoso André Azais não veja o poker! toda vez que eu escuto a palavra Pôker, me vem a mente Azais, isso é impressionante!
É mto bom ver também o crescimento de uma comunidade, a criação de uma organização a fim de favorecer a pratica desse esporte tão glamuroso, principalmente quando assistimos a filmes americanos (me recordo de 007), e principalmente para tirar esta míscita mafiosa do jogo!!

Parabéns!

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