Os Idiotas da Objetividade



Muitos comentaristas e torcedores têm apontado semelhanças entre os selecionados de 94 e o de 2010. A expressão “futebol pragmático” é a mais usada nestas pretensas análises. Mas o que mais chama atenção é como o conceito de pragmatismo vem sendo vinculado ao que se entende por “futebol de resultado” e, sobretudo, por “futebol campeão”.

Os defensores do pragmatismo no futebol brasileiro sempre apontam a “eficiência” de 94 à inconsistência do brilhante selecionado de 82, e dizem que, por pior que seja o jogo jogado, preferem o título. Não vêem no futebol nada além da verdade factual de vinte e dois homens chutando uma bola e quando por acaso esta cruza a meta, no marcador, acresce mais um numeral. São estes os “idiotas da objetividade”.


Não quero, aqui, defender a geração 82. Na realidade, sua qualidade independe de meus argumentos. Só não concordo com o estigma criado a partir da sua traumática eliminação, de que um futebol ofensivo e envolvente é vulnerável e, no limite, anacrônico e desnecessário. 

Nesse primeiro semestre tivemos o exemplo do Santos, campeão paulista e finalista da Copa do Brasil, que conseguiu ao revés do grosso modo como o “futebol de resultado” tem sido praticado aqui, tornar o jogo mais plástico, mais virtuoso, sem abdicar de uma postura tática robusta.

Pedir um futebol mais ofensivo e virtuoso não significa ser nostálgico, não quer dizer que não há outro futebol vistoso além dos apresentados pela canarinho e outras seleções de 70 pra baixo. É uma forma de dizer que há caminhos possíveis para ser campeão e não apenas amontoando volantes no meio-campo é que se chega ao título.

O título seria consequência do futebol apresentado por determinada equipe durante certa competição. Era assim que tinha que ser. Houve, em algum momento da história, essa mudança de perspectiva: hoje o título não é consequência, é o fim. E se os fins justificam os meios, para um título ser festejado, não basta mais um futebol de primeira, mas um mísero gol de canela já está valendo, desde que seja gol, ou seja, desde que a bola cruze a meta. Não é assim que os “idiotas da objetividade” vêem o futebol?

11 comentários:

9 de junho de 2010 17:28 Catharino disse...

Não sei quanto tempo faz que torço pela seleção argentina, acho que desde a copa da França. A Argentina meu caro Ederval, não tem me agradado muito ultimamente, porém seu futebol continua o mesmo de 2002, com muito mais talentos que nas copas anteriores, mas sem conseguir título algum. Não sei se concorda comigo quando digo que a alve celeste tem um time que pode ser tão bom quanto aquele do México 86, eu como torcedor espero apenas que joque bonito, ganhar é apenas uma consequência.
Quanto as conquistas, creio que Ferenc Puskás já nos disse tudo em 54.

10 de junho de 2010 11:16 DSL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
10 de junho de 2010 11:19 DSL disse...

Imaginem um torcedor do Bahia. Ele frequenta o mesmo bar pequeno e úmido há mais de cinquenta anos; a parede oposta ao balcão ostenta os posteres do campeão brasileiro de 59 e 88.

Ele não está satisfeito com o Bahia atual, é óbvio. Mas, convenhamos, ninguém imagina que ele vá torcer para o Vitória, porque o Vitória tem um time melhor que o Bahia.

Esse é o significado de torcer por um time: orgulhar-se e envergonhar-se. Não ser um vira-folha. Eu não estou feliz com o time de Dunga, e acho que a Argentina tem um time mais interessante. Porém, torcer para o selecionado de Maradona, para mim, um são-paulino, é tão impensável como torçer para o Corinthians, em qualquer hipótese.

Queimo a badeira brasileira, mas torcer para Argentina me cheira a ressentimento.

10 de junho de 2010 15:00 trauefsvideos disse...

Não existe gol feio, feio é não fazer gol, já dizia o nosso grandioso Dadá Maravilha!
Bola pro mato q o jogo é de campeonato, deixa plastica pra os dançarinos!

10 de junho de 2010 16:15 Paulo Moraes disse...

Acho que o colega Davi está meio equivocado na relação da paixão e o time de futebol. Parece que este torcedor do Bahia ostenta algo que não viveu, porém ele viveu de perto, ainda mais pensando que ele vai ao mesmo bar à 50 anos. Ele presenciou isto ao vivo. E a torcida do Bahia é isso presença. Não torce pela TV, ela vive o time e se hoje parece que está mal é apenas a fase e elas mudam, no caso do Bahia depende mais dele do que dos outros. O torcedor do Bahia passa sua pior fase, pois ele cresceu vendo seu time ganhar tudo e todos, inclusive os Bambi do Morumbi, que desde 1994 não vencem o Tricolor de Aço. Vencemos ou empatamos (Na Fonte ou Morumbi) em 1995, 1996, 1997, 2000, 2001, 2002 e 2003. Sendo que nesses anos fomos mais mau do que bem.
Mas isso tem expliocação quando somos construídos torcendo pela TV, o amor pode até ser o mesmo, mas a paixão é diferente.

Rumo ao Tri hermanos!

10 de junho de 2010 17:18 Uyatã disse...

David!! Sou seu fã (de novo)!!!

10 de junho de 2010 17:48 Ederval Fernandes disse...

E o que são os jogadores de futebol senão dançarinos? (são mais coisas, mas vou me deter neste aspecto por causa da retórica!).

10 de junho de 2010 19:20 DSL disse...

Paulão, meu bom, peço apenas mais um exercício imaginativo. Imagine o filho desse torcedor do Bahia. Ele conta vinte e poucos anos e viu o título de 88 quando ainda chupava os dedos dos pés.

Agora ele cresceu, e meu exercício imaginativo vai ainda mais longe. Ele teve um filho, digamos, uma menininha. Ela ainda chupa os dedos dos pés, não viu nenhum título do Bahia e nem verá em vida...

O que você, Paulão, me diz? A filhinha de colo de um torcedor do Bahia deve torcer para um time melhor, seja ele o Vitória, o Tôro do Sertão ou o Santos?

E mais... Se torcida é presença, logo, a grande maioria da população brasileira, de 58 a 2010, não poderia ser uma torcida. Pois, como o meu bom Paulão deve saber, sem o advento da TV, o Brasil desconheceria a existência de pelé, quiçá do futebol. É claro, tinha o rádio... E hoje temos a internet... Mas, se não estou enganado, o que o que Paulão critica não é a TV em sim, mas como um símbolo da mídia manipuladora da opnião geral.

Como se a mídia fosse mais poderosa que o futebol... Os descrentes que se enveredem para o território rio platense, e deixem-nos com o nosso Brasil bufado, mas nosso.

E mais... O que dizer dos torcedores da Argentina? Quantas vezes o Sr. viu o selecionado alve celeste em campo para alardear a sua torcida pela Argentina?

Coerência é o que falta aos ressentidos.

11 de junho de 2010 15:31 trauefsvideos disse...

Pois é, os fracassados sim, esses dançam!Os verdadeiros fazem dançar, tocam futebol, nao precisa ser como Hendrix com a guitarra, Pra mim um Jorge Ben feijão com arroz ta de ótimo tamanho, Fazer gol pra não dançar, Eu quero ver gol . não precisa seer de placa eu quero ver gol!

11 de junho de 2010 18:27 Daniel Oliveira disse...

Estou torcendo para o Brasil e para a Holanda.

Agora, me pergunto: que diabo de problema há em não torcer para o Brasil e torcer para a Argentina se esta tem o time melhor ou seja lá qual for o motivo? Sou corinthiano, e muitas vezes, em alguns jogos, eu já torci "contra" o time, porque estava pirado com ele, com seus jogadores, com o técnico, com alguma coisa; e, se ele realmente perdia, eu saía dizendo "Tá vendo? Bem feito!", satisfeito por minha praga ter dado certo e triste por eu estar irritado - ENTENDAM QUE ISSO TAMBÉM É PAIXÃO, MEUS CAROS! Às vezes você se desentende com seu time do coração ou sua seleção e chega a torcer pelo adversário! A relação de amor e ódio existe!

Davi, imagine que você é apaixonado por uma mulher. Você vai "torcer" sempre e indiscutivelmente pra ela, em todos os contextos? Torcer com paixão não é apenas se orgulhar e se envergonhar; eu me orgulho e me envergonho é dos meus familiares, e isso não é paixão. Torcer com paixão é estar sensível mesmo a odiar com todas as forças o time em algum momento, e sempre voltar a amá-lo profundamente depois.

Conclusão: Paulão, Catharino, e quem mais for, mesmo torcendo pela Argentina, só demonstram que são apaixonados pela seleção brasileira. Se não fossem, eles não estariam torcendo pra Argentina; simplesmente estariam ignorando a Copa, tendo mais o que fazer. Tente fazer um paralelo entre um homem e uma mulher desentendidos que foram pra uma festa separados, mas quando se vêem lá interagindo com outras pessoas, morrem de ciúme um do outro.

12 de junho de 2010 09:41 Paulo Moraes disse...

Davi cuidado com que fala, pois ninguém imaginaria que um time nrdestino venceria em 1959 o Santos de Pelé, que 1988 este mesmo time nordestino venceria o Gigante da Beira Rio, inclusive na epóca disseram que a final teria sido a semi final, um Gre-Nal.

Passamos por uma má fase, e a ilustre Luisa nem a viu, pelo tem mais uns cinco anos para realmente ver o seu time e entender o que seja torcer. Ninguem torce do berço, pois somos cosntruído historicamente e escolher um time é isso tudo e mais um pouco. As fases mudam e ai, ficará sem resposta achando que os times do sudeste irão manter sua hegemonia o tempo todo.

O grande problema nosso é achar que porque escolhemos um time em uma epóca não podemos mudar, ainda mais a depender quando foi feita essa escolha. Não nasci Bahia, mas o escolhi em um determinado momento, principalmente quando o mais vivi ser Bahia e de perto, jamais de longe. Mas torci pelo Vitória em parte de minha infância, minha familia é toda vitória e quase o fui, mas fiz outra escolha. Podia ter escolhido o São Paulo de 1992-1993, O palmeiras Parmalat, o Flamengo da Globo, pois se estivesse presenciado o time dos anos 80 é outra coisa. O problema não é a TV, mas como ela costroí os novo torcedores e eu irei disputar com ela o que Luisa será, mas preferiro que ela seja Vitória ou Flu de Feira que torça para times do centro sul do país. A escolha de um time também é uma questão política, o futebol, ainda mais no Brasil, vai muito além de quem é melhor ou pior.
E sobre torcer pela Argentina o Magnífico João Daniel falou tudo, não vou torcer por uma seleção que nã representa o Futebol Brasileiro, por mais incoerente que isso pareça estou torcendo pelo futebol brasileiro, sul americano, que é a Argentina em campo.
E não confunda time com seleção, pois a própria construção de torcer é diferente e assim sendo a relação pode ser diferente.

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