A Propósito do Intelectual


da Ciência Política...


Breve nota
                 antroposociológica:

  A Propósito do Intelectual
    


A análise de breves dados da arquitetura de nossa sociedade evidencia de sobre maneira as relações de classe em função de um modo de produção excludente, e sem dúvida, opressor de parte dos detentores dos meios de produção em detrimento dos capacitáveis por sua força de trabalho.


Ou seja, o processo quase kafkaneano do gigantesco complexo das estruturas do sistema engendrado em tal ordenação cria uma conjuntura contrária ao recrudescimento das forças das camadas populares urbanas e do campesinato contra toda essa megolamânica ciência que se tornou o capitalismo.


A construção da figura do intelectual se faz então prenhe de caracteres dissolvidos na cultura, de sobremaneira que a manutenção de determinadas cosmogonias só é possível pelo esforço e perspicácia de tais mentes. No caso da classe dominante percebe-se o óbvio interesse na perpetuação das falidas instituições como a igreja, a escola entre outras que servem apenas para justificar a dominação usada então de maneira a manipular o consumo.

Na outra ponta estão os infatigáveis escritores, poetas, jornalistas enfim uma gama de intelectuais responsáveis pela propagação das idéias revolucionárias a fim de criar espaços de formação política do povo, o que, no entanto não passa tão despercebido assim, como em tempos de ditadura e repressão como a segunda metade do século 20 nos países latino-americanos, sobretudo no Brasil.     

Seja como objeto de estudo ou como a explicação mais racional, objetiva e concreta da vida, tal ideologia também responde seja por memórias e formas e estilos, caracteres e personalidades que compõem a dinâmica do individuo de/ao encontro da coletividade.

Determinadas assim algumas de suas mais notadas e explicitantes características, passemos adiante a outra forma sua de execução da força hegemônica pela classe dominante. A construção da figura do intelectual orgânico e sua  função dentro dos modos de produção vigente, entretanto a explicação da natureza das coisas é demasiado complexa quanto dinâmica no intuito de prescindir a realidade para a explicação da mesma.

Assim o Estado juntamente com a sociedade civil, esta por sua vez através dos aparelhos privados de hegemonia, determinam pela propaganda o alcance de seus dirigentes nas bases, ou seja, por meio da escola, da igreja, de revistas, jornais, enfim todos os meios de comunicação de massas com o fim de homogeneizar a ideologia dominante nas relações societais.

Dessa forma a organização política da classe revolucionaria  necessita de uma determinada organicidade dentro suas respectivas categorias - dirigentes ou lideranças funcionais, intelectuais – elo entre as idéias e operadores delas – e por fim a sua base, os trabalhadores, camponeses e militantes dos movimentos sociais.
Para efeito então da contra-hegemonia, que se representa como causa natural de uma necessidade histórica a partir da execução de vontades coletivas como a práxis  transformadora oriunda nos sujeitos coletivos representados na figura dos militantes de onde brotam a vanguarda de organizações grupistas ou células responsáveis pela educação política de seus militantes.

O desvelamento da dialética capital X trabalho permite o rompimento de estruturas estatais que agem através da coerção que lançam seu espectro sobre os movimentos da sociedade a fim de construir no inconsciente coletivo uma sensação de consenso e  conformidade entre as classes. 

A práxis transformadora da cultura depende de uma atividade intelectual sistemática no limite das bordas da filosofia através da linguagem que abrange conceitos que são desenvolvidos enraizados principalmente quando envolvem questões culturais como a religiosidade, universidade e os blogs.


Tudo isso transubstanciado no folclore, ou seja, num conjunto de concepções de mundo, cosmogonias compósitos arbitrariamente pelas idéias disseminadas pelos aparelhos reprodutores de massas em busca da formação de uma cultura comum.

Possuidora de uma atualidade original representada pela língua de uma determinada cultura onde são erigidos caracteres dos grupos sociais dominantes não havendo então autonomia histórica estando sempre preso a padrões históricos suplantados.

           
O aperfeicionamento do gênio através do trabalho, da intuição, da repetição produz o intelectual; ente ligante da estrutura da 3º classe, ou seja, o instrumento organizativo do exercício fato político. A necessidade de crítica social conduz-nos ao fato intelectual como produto da atividade real resultado da ação política de determinados coletivos que são responsáveis pelos fatos políticos que determinam o percurso histórico de especifico agrupamento social.
            
A política, alicerce paradigmático do tripé: religião, filosofia e senso comum que sofre contra ponto pelo bom senso, raiz de toda atividade intelectual e reflexiva de certo grupo ou partido que se apropria do discurso dominante para transfigurar a realidade vivida pelas classes exploradas.
            
O que desemboca num recrudescimento de teóricos e filósofos que engendram a revolução a partir da necessidade organizativa de aparelhos de contra-hegemonia como a construção de veículos de comunicação direta com as bases, a fim de buscar a cumplicidade com os setores subalternos da classe revolucionária.
            
A natureza explicita de tais fenômenos demonstra que tal organicidade se mostra como condição essencial para a formação da consciência de classe das bases, não obstante o Estado através de seus dirigentes, também por sua vez reproduz para as massas cosmologias diversas e inversamente proporcionais ao exercício de contra hegemonia defendido pelos intelectuais que organizam os múltiplos setores de suas bases.

            
No entanto a ortodoxia das relações travadas entre os diretores dos aparelhos privados de hegemonia e seu público, que não deixa de ser multifacetado e heteróclito, representa a disputa pela dominação ideológica nos diversos setores desde os operários expostos a propaganda do Estado aos intelectuais responsáveis pela criação dos argumentos desvelantes de toda a maquiavélica superestrutura na qual esta inserida toda a dinâmica societal.  
            
Tendo o intelectual dessa forma a tensão pela responsabilidade de articular as bases em função das diretrizes dos grupos que representam os interesses culturais, econômico e político e, por conseguinte socialmente referenciado no quesito organicidade. O que por sua vez se entende por capacidade dirigente e técnica de organizar as categorias do complexo organismo do sistema de classes.
            
Assim exercendo, no seu raio de influência, a construção de uma hegemonia ideológica, cientifica e principalmente filosófica agindo de maneira paralela as lideranças e dirigentes do movimento para a disseminação e propagação das idéias contra hegemônicas da superestrutura dominante.
            
Teóricos da revolução, professores universitários, cientistas sociais, entre outras categorias academicamente legitimadas e socialmente referenciadas exercitam uma autonomia da sua classe original, ao mesmo tempo em que se sentem presos a ela no campo da representatividade e função determinada na esfera das relações socioeconopoliticas, de caráter transcultural.

dum bureau em qualquer sobrado do Recôncavo, O Dactilógrafo. 

Camillo Cesar é Licenciando em Letras pela UEFS.

8 comentários:

21 de fevereiro de 2010 05:33 Marcos disse...

Desculpe, mas serei sincero, existe um cancer na maioria das universidades brasileiras e o nome dele é "professores marxistas". por que temos que ver o mundo SOMENTE pela ótica da luta de classe? há sempre um complô do capitalismo contra os proletariados...
C. Cesar, vc escreveu ben, contudo parei a leitura no meio do texto pois não aguento mais isto...

Abraços

21 de fevereiro de 2010 08:05 DSL disse...

Camilo, esse texto seu equivale a duas voltas de ccoper na Getúlio. Li quatro parágrafos e já estou ofegante. Vou me recuperar, depois eu volto pra mais impressões.

22 de fevereiro de 2010 07:48 Paulo Moraes disse...

Caro Marcos

Não chame de cancer o que não é. Se houves sobre marxismo na Universidade que bom, pois nos outros espaços sociais os escodem como se ele fosse diferente de qualquer teoria outra que vaga no mundo.
O marxismo não vê o mundo apenas pela luta de Classe, vai além disso, mas com isso. Aqui não se separa o que pensamos de como agimos e sempre fazemos a auto-crítica, mais do que ncessária ao marxismo, pois não existe a verdade absoluta e a sua busca de construir um outro mundo, que além das idéias.

22 de fevereiro de 2010 16:43 Marcos disse...

Caro Paulo Moraes,
Perdoe se a palavra cancer pareceu demasiada forte, a intenção não era ofender ou coisa assim. Quando afirmo que professores marxistas são como cancer é por que eles minam, delimitam, enjaulam a mente de muitos universitários brasileiros. Digo isto por experiência própria, fiz o curso de História e a ficha só caiu no 7°/8° semestre. Acredito que Marx foi brilhante na análise do seu tempo e do capitalismo (também do seu tempo). Marx, talvez, tenha sido um dos maiores pensadores da modernidade, contudo os marxistas, ás vezes, insistem em utilizar velhas fórmulas que não são mais férteis no nosso século. O Capitalismo é, até o momento, o único sistema compatível com a Democracia e o homem moderno não está disposto a dispensa-la em favor de um socialismo.
Debater o impacto e consequências da atuação dos inetelectuais marxistas nas universidades brasileiras é um exercício bastante interessante, talvez este espaço (caixa de comentários) não permita o aprofundamento de argumentos, etc, contudo não me privaria de mantermos o debate.
Mais uma vez; perdoe se o uso da palavra "cancer", por tuda a carga ue ela carrega, pareceu forte demais, é que não resisti. rsrs
Abraços!

23 de fevereiro de 2010 09:33 M. Correia disse...

Único sistema compatível com a democracia?? Não compreendi essa.

23 de fevereiro de 2010 10:12 Paulo Moraes disse...

Caro Marcos

Não sei se cursou História aqui na UEFS, mas a realidade que transmite me parece por demais aumentada. Até onde saiba quase todos os cursos, para não dizer todos, há uma minorioa de Marxistas em seus quadros e os que tem, pelo menos aqui na UEFS é essa a realidade, são Professores que tem o respeitos de todos e todas não importando a área de conhecimento histórico.
Sua fala me muito parece com a do Nipo-americano Fukuyama que alardeou aos quatro cantos do mundo que a História chegava ao seu fim, com a Vitória do Capitalismo frente ao Socialismo Real. Isso foi nos anos de 1990 e colou bastante, porém o colega continuar parafreasdo coisas desses tipo como o companheiro Mauricio logo acima questiona é perigoso. O Capitalismo não tem nada haver com Democracia, e ainda mais compatibilidade. Vivemos na era da competição o que significa que quem tem a unha maior sobe na parede, não importando o que se faça, mas se o colega acha que a liberdade de consumo, que nem é tão leberdade assim, pois se diferencia a depender do tamanho da conta bancária, é o melhar forma de viver é melhor voltar aos livros e ao mundo que o cerca e repensar sobre esta afirmação.
Marx escreveu em seu tempo para seu tempo, porém ele conjuntamente com Engels constituiram uma teoria que pensa o mundo a partir do tempo em que estamos, sem anacronismos tão comum a certa outras teorias historicas. Leia o 18 Brumario de Luiz Bonaparte, pois creio que possa te ajudar a entender melhor o marxismo, mesmo que seja para não ser marxista.

Abraços

25 de fevereiro de 2010 11:48 Marcos disse...

Olá Paulo,
Começando do final do seu comentário. Já lí o 18 Brumário sim, também acredito que Marx escreveu em seu tempo para seu tempo, como afirmei lá em cima, é um dos maiores pensadores da modernidade, mas a questão não é o que Marx escreveu mas o que fizeram a partir disso. O Marxismo é ótimo como quando crítica o Capitalismo, apenas isto, pois suas propostas não se sustentam(ram)- estou falando do socialismo. Teoricamente seria um sistema perfeito - quase o paraíso na terra, contudo, já sabemos o que ocorreu nas tentativas de praticá-lo - aliás, marxismo e cristianismo tem muitos pontos em comum, mas deixa isto para outra ocasião.
Voltando ao início do seu comentário. Não fiz o curso na UEFS, foi em outra Estadual e gostei do curso, apenas não gostei da tendência fortíssima dos marxistas, muitos saíram de lá “formados” em marxismo. Também li a obra do fukuyama citada, assim como a réplica do Perry Anderson, e acredito sim, que não existe mais espaço neste nosso mundo para experiências socialistas (a não ser na periferia)não existe abertura para a supressão da liberdade, digamos, "burguesa". E, antes que você pergunte, estou me referindo a Democracia presente nos países eminentemente capitalistas, aqueles países onde o Estado de Direito está bem estruturado (seja lá qual for a função que queiram dar a ele). A mesma Democracia que está ausente nos países socialistas. Aos países periféricos não podemos dizer o mesmo, ainda não tinham sido seduzidos, ou não o suficiente, por esta Democracia a qual me referi, por isso caíram nos braços do socialismo (Cuba, China, URSS e a Venezuela –quando o Chávez terminar o que está fazendo)

Para o M. Correia – Socialismo e Democracia andam juntos então?
Abraços

25 de fevereiro de 2010 13:19 Paulo Moraes disse...

Caro Marcos
Acreditar que não é mais póssivel experiências socialistas neste mundo diante das experiências que existiram e ainda resistem é negar a História meu Caro.
Achar que a Revolução Cultural na China é a China capitalista de hoje é um equivóco, entender o Stalinismo enquanto um projeto socialista mais temarário ainda. E assim por diante, o colega não está vendo o mundo a partir do mundo em que está inserido.
Trago uma questão, o que é a Democracia? A dos Gregos, que tão solenemente é trazida para nós como o berço de nossa civilização ocodental.
O colega traz 4 exemplos e joga tudo num saco só, como se elas fossem iguais não importando a epóca ou lugar onde foi realizado. Isso é anacronismo, e sabe disso.
O Estado de Direito só funcina nesses países, porque existem nós, a periferia. O capital precisa de ricos e probres ou seja exploradores e explorados, logo não existe democracia real. Apenas uma farsa que achamos ser livre, pois podemos escrever o que quisermos, porém não temos voz para ser ouvidos. O que diferencia o homem na era do capial é quanto ele tem, se tem mais tem mais escolhas e essa liberdade burguesa, se tem de menos não tem nada há não ser cães e porradas da policia.

É para debates assim que este projeto existe.

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