Os Leões Indomáveis: o futebol em estado de graça





| por Paulo Moraes |

À Deus que a partir da data de hoje
é estudante de Economia da UEFS.


Quem tinha entre oito e dez anos ou mais no ano de 1990 saberá o porque de torcer pela seleção do Camarões. Situada na costa atlântica do continente Africano (isso mesmo: a África é um continente cheio de diversidade e não um país uno), Camarões apareceu para mim quando eu tinha oito anos no dia oito de junho de 1990. Era um dia mágico para um sempre apaixonado por futebol (nesta época muito mais me importava quem seria o campeão baiano de Junior que aquela menina bonita a quem sentia uma paixão platônica): era o Jogo de estréia da minha primeira Copa do Mundo. Nasci em 1981 e antes desta Copa ocorreram duas Copas 1982 na Espanha e 1986 no México, mas minha primeira Copa foi a da Itália em 1990.





Entraria em campo a atual Campeã do Mundo de Futebol, a magnífica seleção argentina do Maestro Diego Armando Maradona, contra a então desconhecida, para mim, seleção de Camarões. Era certo que veríamos ali uma estrondosa Goleada, era a obviedade, mas o Futebol é uma caixinha de surpresa e a partir daquele momento a Copa ganhava uma nova seleção. Um jogo para a história, com menos dois aqueles africanos de futebol magnífico derrubavam a Gigante argentina com um gol que entrou para história como um dos maiores frangos. Começaríamos a conhecer Roger Milla que faria história naquela Copa e depois em 1994 ao ser o atleta mais velho a fazer um gol em Copa.


Um futebol liso, artístico, fabuloso e principalmente simples, mas não vamos pensar que simplicidade é sinônimo de jogo feio, isso fica para a nossa Seleção que, cheia de complexidade, não faz encher os olhos de quem via aquela seleção jogar. Enfrentou os Romenos e passaram o trator, 2x0 e com isso já estavam classificados para as oitavas de finais quando enfrentaram a União Soviética e perderam por 4x0, mas isso faz parte do futebol. Os filhos da Revolução Russa deveriam sair bonito da sua última participação em uma Copa.



Chegamos as oitavas e aquela seleção até em tão Zebra enfrentaria a Seleção Colombiana de figuras exóticas como o Goleiro René Higuita e o cabeludo Carlos Valderrama, além de uma figura que em breve estouraria no Futebol - Freddy Rincón. Apesar de ambas as seleções terem um futebol versátil Camarões saiu vitoriosa graças aos pés de Roger Milla e sua dança ao pé da bandeirinha de escanteio. Higuita viu duas vezes a balo ao fundo da rede e uma delas viu suas estripulias serem vencidas pela habilidade daquele camaronês de 38 anos - e assim Camarões seguia em frente para enfrentar os súditos de sua Majestade.



No dia 1° de julho aconteceria uma das maiores partidas daquela Copa. Um jogo vibrante onde de um lado estava os inventores do maior esporte do Mundo e do Outro uma seleção que transbordava emoção ao vê-la em campo. Gary Lineker, a quem um companheiro de curso e lutas teve seu nome baseado, era a maior estrela dos súditos da Rainha, com um futebol bonito e bem pensado. A parti daí foi de morrer, era de tarde e assistia esta partida ao lado de um amigo, na sala de casa, e aos 25 David Platt marcava o primeiro tento. Daí em diante os camaroneses cresceram na partida e no segundo tempo viraram, para delírio de todos aqueles que gostam de ver o “Pequeno” vencer o “grande”, mas ao fim do jogo um pênalti e a frieza inglesa aos pés de Lineker levariam à prorrogação jogo tão emocionante.

Infelizmente aquela seleção ficaria ali, pois outro pênalti levaria à vitória o time inglês e com isso sua ida as semifinais. 
 




A sétima colocação, que Camarões conseguiu naquela copa, ainda não havia sido batida por nenhum país Africano, mas esse ano é ano de Copa na África e nossa torcida é que Camarões chegue, quem sabe, a este titulo inédito. A seleção camaronesa hoje é respeitada e não mais chamada de Zebra, e talvez por isso não tenha mais conseguido ir tão longe como a vinte anos atrás.


O que essa seleção de hoje precisa resgatar deste passado é a liberdade de jogar em campo, não ficar presa a armações táticas de estilo Europeu, deixa isso para a Seleção de Dunga e sua Legião Estrangeira. Camarões: jogue bonito, jogue solto, sem responsabilidade, pois ela não te pertence e sim aos Dominantes do Futebol, que precisam enriquecer os seus cofres com os milhões da Nike.

Avante Camarões, pois estais em casa.

3 comentários:

28 de fevereiro de 2010 11:23 deusdete.garcia disse...

eehhhhhh ... rsrs
Camarões unite !!!!

28 de fevereiro de 2010 19:09 Marvin disse...

cara, algo semelhante aconteceu comigo na última copa, ao ver "Os Elefantes" jogarem, apesar de, infelizmente,terem sido eliminados na primeira fase, e vale lembrar que pegaram uma pedreira, com Argentina e a dona da casa, Holanda, nos primeiros jogos, daquela que tbm era a sua estreia em copas do mundo.

E essa falta de taticas acho q era caracteristica só do Roger Milla msm.
hehe

O que não podems negar é que ambas as seleções, assim como a maioria das "grandes" está com seus "destaques" em times da Europa, qse q por tabela seguem acabam seguindo o futebol de lá.
=/

Que aosmeus humildes olhos é uma péssima escola.

17 de março de 2010 10:22 Gil disse...

Com certeza que essa é a copa dos africanos. Tanto pelo prestígio que diversos jogadores têm atingido em nível internacional, como é o caso de Geremi, que hoje joga na Turquia, mas já jogou no Real Madrid, Eto'o da Inter, Makoun do Lyon,jemba-Djemba que hoje joga na Dinamarca mas já jogou no Manchester e Webó que joga no Mallorca da Espanha.

No entando, temos outras seleções que disputarão a copa em pé de igualdade, como é o caso da Nigéria e Costa do Marfim. Naquela jogam Yobo, Aiyegbeni e Anichebe do Everton da Inglaterra, Chidi Odiah do CSKA Moscou, Mikel do Chelsea, Kanu (quem não conhece?rsrs), Obinna do Málaga da Espanha, "Oba Oba" Martins que joga na Alemanha, mas já jogou na Inter, Makinwa da Lázio e Uche do Zaragoza.
Na Costa do Marfim temos: Kolo Touré do Manchester City e seu irmão Yaya Touré do Barcelona, Zokora do Sevilla (companheiro de Luís Fabiano), Kalou e Drogba do Chelsea, Koné do Olympique de Marseille e Eboué do Arsenal.

Enfim, para quem espera uma copa polarizada entre os europeus e os sul-americanos, esperem que os africanos vêm com toda força!

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