EUISMO

                                                                                               |Por Uyatã Rayra|


Um novo leque sopra ventos mais leves: EUISMO: o mais novo “ismo” que a todos faltava para o alcance dos mais altos degraus da plenitude.
   

Queremos ser, ou não! E não ser já consiste num estado. Pensamentos sincrônicos conferem-nos afinidade às múltiplas teorias, hipóteses, teses, suposições, divagações e insights. Desejamos ser, ou não!! Às vezes todas, outras nenhumas!!

Marxismo, Budismo, Eufemismo, Capitalismo, enfim... Nada disso somos plenamente.  As condições necessárias para tornarmos algum “ista” em completude nos fogem. Algo inextricável a nossa essência nos afasta do derradeiro requisito, justamente o requisito essencial, aquele que, se excluído não nos concede o selo ISO 2222. Surge então, o precipício, a cizânia, o caos interno e a máxima sheakspeariana.

Deletem tudo que foi escrito até aqui, nada disso serão completamente, por mais que queiram, a busca será vã. Perante o ISMO que vos irei pincelar- um ISMO sem aspas e com todas as letras maiúsculas- todos os outros “ismos” serão apenas acessórios, adereços, clipes ao lado da mensagem eletrônica.

Somos, antes de mais nada, EUISTAS, isso sim tenho certeza! Até mesmo o mais trans dos pós-modernos, ou o maior cabeça de blu-ray, por mais que negue por orgulho besta, ou até mesmo pelo gozo à aversão, não haverá como dizer não, pelo menos não a mim. 


Eis que vos apresento algo que não haverá como não ser. Antes de nos atribuirmos qualquer rótulo, somos si próprios, e isso não há como negar.  Eis a essência do EUISMO. Qualquer decisão por mais contraditória aos próprios princípios, causando confusão ao ser, partem preliminarmente de si, logo é o próprio ser. A confusão surge não porque ficamos indecisos se somos ou não. Ou somos, ou não somos. A partir do momento que tomamos uma decisão, somos e pronto. Na verdade, somos confundidos pelo que não somos, e o que não somos é o todo exterior a nós.

Isso que vos escrevo pode até parecer uma anedota de um coringa que foge às cartas para embaralhar-las. Relaxem! Não vos apresento nenhum “A Ideologia Alemã”. É algo simples, é EUISMO, e não deve haver vergonha em ser EUISTA, até porque todos somos. Darei um exemplo: vamos supor que uma pessoa com o nome Milton se proclame socialista. Socialista em plenitude nem Kim Jong-il. Essencialmente, Milton é Miltonista, e por apreço carrega múltiplos traços do socialismo em anexo. E por que Milton é essencialmente Miltonista?? A resposta é simples. Porque, antes de mais nada, Milton é ele próprio. Ele vai ter atitudes que só ele mesmo saberá ou não porque as teve, e todas essas atitudes serão reflexo de todas as experiências físicas e espirituais que Milton teve ou está tendo, e que mais ninguém pode ter vivido. O socialismo aparecerá em segundo plano, pois antes de ter conhecimento e leitura básica para se definir enquanto socialista ele era simplesmente Milton, e mesmo depois de ler todo o manual básico para ser socialista, Milton será ainda Milton, um Milton mais inteligente. Todavia, de forma alguma Milton excluirá suas vivências anteriores, e estas continuarão influenciando na sua vida e escolhas. Reparem que o nome Milton é apenas um adorno, mesmo que ele mude o nome, não haverá como fugir de si, mesmo que sofra uma pancada na cabeça e se esqueça de quem era, terá o passado guardado em alguma parte do cérebro, nas cicatrizes do seu corpo, nas cáries dos seus dentes...

Os “imaginários” assemelharão o EUISMO a egoísmo, individualismo, mas percebam que essas categorias se tratam de puros “ismos” rasos, raquíticos. É só termos a convicção que um comunista é EUISTA por essência, e os comunistas repudiam o individualismo, mas não podem repudiar o EUISMO, por que o são, logo se atribuírem o EUISMO ao individualismo nem mesmo comunistas serão. Contudo ser EUISTA não exclui a possibilidade do indivíduo ser egoísta também. Tenhamos em mente a convicção de que o EUISMO é a alma, o âmago, que permite que os indivíduos - para se sentirem mais felizes - comportem todos esses “invólucros”- meras jóias noturnas, batom que ao beijo se derrete, maquiagem que à lágrima se dissolve.

O EUISMO não é aquilo que desejamos ser, nem o que dizemos ser; definirmo-nos consiste em dar-nos forma através de palavras, e as palavras representam – sobretudo – idéias, contudo o EUISMO representa a substância - aquilo que realmente somos e não pode ser representado no campo das palavras, pois não existem palavras capazes de definir substancialmente o que somos, somente EUISMO.  O EUISMO também não se trata de um “seja você mesmo”, pois segundo o EUISMO: “Não há como você não ser você mesmo”!

Continua ...

11 comentários:

7 de julho de 2010 09:40 Allan disse...

Filosoficoeuismo!

7 de julho de 2010 10:51 Paulo Moraes disse...

Caro Uyatã

Queria que me tirasse algumas duvidas sobre o EUISMO.

Você coloca em sua argumentação que Milton antes de qualquer coisa é Milton, isso implica que existe um Milton puro?

Mas Esse Milton Puro só é Milton porque algo o externo a ele o chamou de Milton, assim como ficaria o Milton Puro se antes dele mesmo ser ele algo externo a ele está presente?

Questões para ser convencido do euismo.

7 de julho de 2010 11:16 Lorena disse...

eu já me neguei mais antigamente...de vez em quando ainda me saboto [cada vez menos]...esse texto é a própria afta pra mim.
aos que leram o texto, fica esse meu comentário [nada original]:chupa essa manga!

7 de julho de 2010 11:19 Lorena disse...

amigo paulo, antes de mais nada: uma proposição não está negando a outra,o.k.? elas se complementam.

7 de julho de 2010 11:38 Uyatã disse...

Boa Paulão,

Milton é um ser único, único no sentido de carregar especialidades que nenhum outro indivíduo carrega.

Cabe ressaltar que antes mesmo de Milton ser expelido pela vargina, muitas coisas que o antecedem serão determinantes no modo de ser de Milton, outras muitas pouco incidirão. Milton sozinho não existe, pois não há seres que nunca fizeram contato, ao menos com o útero da mãe existiu ... O fato dele ser um ser único é determinado pela quantidade de experiências determinantes no modo de agir, sejam essas experiências concomitantes, posteriores ou antecedentes à gestão de Milton...

Como eu bem disse, o nome Milton é apenas um adorno, um penacho, e como você bem explicitou foi conferido a Milton por algo externo, provavelmente o pai ou a mãe ... O nome é um referencial, e é claro que influenciará na vida de Milton, pois se ele se chamasse 1 2 3 de Oliveira 4,certamente iria acumular situações constrangedoras ou enaltecedoras. Contudo, o nome não é o fator relevante para que Milton viesse a nascer, nem continuar vivendo.

P.s. Obrigado pro sua contribuição, ela será relevante no desenvolvimento do EUISMO ...

7 de julho de 2010 19:54 Paulo Moraes disse...

Caro Uyatã

Mais uma questão, assim então o EUISMO não coloca que exista um Milton Puro, pois o mesmo tem construções históricas que por serem vivenciadas apenas por ele o que o torna único?

Então o EUISMO vem a discutir que as experiência vividas são únicas no todo, porém as partes desta vivência são compartiçhadas coletivamente, o que torna o individuo único, mas não acredita que exista algo intrínseco a esse individuo?

Algo me parece que vou gostar do euismo.

8 de julho de 2010 04:46 Aruã disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
8 de julho de 2010 09:24 Uyatã disse...

Êa Paulão,

Milton puro não circunda pelas redomas do EUISMO, o Milton único sim.

As experiências mesmo que coletivamente construídas, terá uma absorção sentimental muito particular. São justamente os sentimentos derivados das experiências, que serão íntimos ao indivíduo EUISTA, pois por mais que a mente humana tente desvendar o sentimento de outrem, somente o indivíduo que sentiu poderá saber a representação daquele sentimento para si.

De que forma, quando e onde ocorrem a manifestação e absorção dos sentimentos de cada indivíduo é o algo intrínseco deste, e também é um fator prepoderante para que o torne único.

9 de julho de 2010 07:02 Paulo Moraes disse...

Caro Uyatã

Estou a espera do EUISMO, a Ideologia Feirense.

14 de julho de 2010 13:01 M. Correia disse...

As definições dos "eus", via de regra, são espelhos turvos da consciência.

18 de julho de 2010 09:16 Ana Paula Duarte disse...

"por mais que queiram, a busca será vã."

“Não há como você não ser você mesmo”!

Adorei o texto e seus posicionamentos, diante de meu contexto atual, muito me ajudou a leitura.

Abraço.

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