O Enigma das Bolinhas


O próximo dia 11 de março poderá entrar para a história do Futebol Brasileiro, como o dia em que a liberdade de comercio prevalecerá sobre o monopólio Global do nosso principal campeonato nacional, o Brasileirão Série A. Isto porque neste dia, serão abertos os envelopes das propostas da licitação para quem irá exibir o Brasileirão nos anos de 2012, 2013 e 2014, na TV aberta. A proposta mínima é de 500 milhões de reais por temporada, o que significa quase o dobro do último contrato vencido pela Rede Globo, em que se pese não era uma disputa aberta, como a mesma quer que funcione as relações de mercado no Brasil, que prega todos os dias nos seus noticiários econômicos. No entanto houve uma grande reviravolta na última semana e tudo isso em virtude da famosa Taça das Bolinhas.

Em 1987, os 13 maiores Clubes do Brasil criaram uma associação, o Clube dos 13, o seu sentido era representar os direitos econômicos dos clubes em relação aos direitos televisivos, em detrimento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e assim, no mesmo ano, criaram a Copa União, um torneio com 16 Clubes que seria o Novo Campeonato Brasileiro. No entanto a CBF não reconheceu tal torneio e organizou o seu Campeonato Brasileiro, também com 16 Clubes. Só que os principais clubes do Brasil estavam na Copa União e a Rede Globo comprou os direitos televisivos deste campeonato. Numa tentativa de acordo, a CBF queria que o Campeão da Copa União enfrentasse o Campeão do seu Torneio, o Clube dos 13 negou tal proposta e assim a CBF, até a última semana, reconhecia apenas o Sport Campeão Brasileiro de 1987, em detrimento do Flamengo, Campeão da Copa União, mas como sabemos essa Estória mudou semana passada.

A Caixa Econômica Federal (CEF) forjou uma Taça que seria dada ao primeiro tricampeão (ou seja, ganhar 3 vezes o campeonato em sequência) ou ao primeiro time que conquistasse o campeonato brasileiro 5 vezes, de forma alternada, tal taça ganhou o nome de Taça das Bolinhas devido ao seu designer. Esta ocorreu tranquilamente até Dezembro de 1992, quando o Flamengo empatou com o Botafogo, no Maracanã, e conquistava pela 5ª vez o Campeonato Brasileiro, mas temos de lembrar que a CBF só reconhecia os três primeiros, conquistados em 1980, 1982 e 1983, então para a CBF o Flamengo tinha apenas 04 Campeonatos Brasileiros alternados. A confusão aumentou no ano de 2007, quando o São Paulo atingiu a Glória de Conquistar o Campeonato Brasileiro 05 vezes alternado (1975, 1986, 1981, 2006 e 2007), mas para aumentar a confusão no ano seguinte (2008) o São Paulo venceria mais uma vez o torneio, se consagrando o primeiro time a vencer o torneio 06 vezes e se tornar no primeiro Tricampeão, só que como o Futebol é uma caixinha de surpresas, em 2009 o vencedor foi mais uma vez o Flamengo.

Na semana Retrasada a CEF resolveu entregar a Taça das Bolinhas, mas não entregou ao Flamengo e sim ao São Paulo, pois até em então este era o Primeiro detentor de 05 títulos Brasileiro. Só que na última semana a CBF resolveu reconhecer também o Flamengo como um dos campeões Brasileiros de 1987. Ao final de 2010 a CBF valorizou a História ao reconhecer o inicio dos torneios nacionais à 1959 e assim colocar todos os campeões de 1959 à 1970 também como campeões Brasileiros, neste sentido tivemos uma mudança nos times que detém mais títulos brasileiros e quem é o Primeiro Campeão Brasileiro. Assim hoje Santos e Palmeiras são os times com mais títulos Brasileiros, 08 cada, e o Esporte Clube Bahia é Primeiro Campeão Brasileiro, título este vencido em 1959 em cima do Santos de Pelé e Cia, no Maracanã.

No primeiro momento achávamos normal o reconhecimento da Copa União de 1987 enquanto título nacional, mas a questão é o que estava por trás disto tudo, mas precisaremos voltar um pouco para explicar as coisas. Em 2010 ocorreram duas questões centrais na vida do Clube dos 13, de um lado uma deliberação do Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (CADE) e as eleições da nova direção do Clube dos 13. A Deliberação do CADE acabava com o monopólio da Rede Globo de vencer os processos licitatórios dos direitos televisivos e colocava a disputa dentro das leis de mercados. Do lado das eleições teríamos duas chapas, uma liderada por Fábio Koof (Clube dos 13) e a outra encabeçada por Kleber Leite (Representando CBF e Globo), em que fez alguns clubes estarem ao lado de Kleber Leite, mas no Final a Chapa de Koof venceu as eleições, mantendo a sua autonomia em relação à CBF e abrindo uma possibilidade da próxima licitação não ser vencida pela Rede Globo, e sim pela sua principal concorrente, a Rede Record.

A Presidente do Flamengo, a Tucana Patrícia Amorim, votou com a chapa do Clube dos Treze, no sentindo de fortalecer a entidade e manter a sua autonomia em relação à CBF, só que após receber o reconhecimento do Título de 1987, via CBF, a mesma Tucana agora quer romper com o Clube dos Treze por achar que estar sendo prejudicado nos termos do contrato televisivo. Junto com o Flamengo os demais Clubes Cariocas, somando-se ao Corinthians, Palmeiras, Santos, Grêmio e o Coritiba querem sair do Clube dos Treze e fazer seus próprios contratos de venda de direitos televisivos e numa coincidência do destino a Rede Globo acaba de dizer que não vai mais negociar os direitos televisivos do campeonato Brasileiro com o Clube dos 13 e sim diretamente com cada Clube de Futebol.

Neste sentido estamos de frente de um dilema, o que é melhor para o Futebol Brasileiro, a manutenção dos Clubes dos 13 enquanto representantes dos Clubes e fechando os contratos em nomes de todos ou o acordo individualizado time por time com uma emissora de televisão? Os acéfalos Rubro-negros continuarão comemorando um título em que vendeu a sua alma ao Diabo, Ricardo Teixeira, para seu o reconhecimento? Os torcedores ficarão parados vendo Corinthians e Flamengo querendo passar todo final de semana antes do Faustão? Ficam as questões, mas está tudo muito claro, a imbecilidade impera no futebol e nos corações das maiores torcidas do Brasil.

Aguardemos o dia 11...

5 comentários:

3 de março de 2011 18:04 Cléo Emidio disse...

Pode chover canivete... mas só quem foi penta pela primeira vez sabe como é...

4 de março de 2011 14:40 Lineker disse...

Mais uma vez, vitória e títulos são forjados fora dos gramados. Novidade? Nenhuma. Principalmente porque independente de como se dê as negociações com as redes de televisão, os times ditos “pequenos” (do Norte e Nordeste), só continuarão a perder, e cumprir docilmente seus papeis de coadjuvantes do circo futebolístico, dando a este espaço, a falsa aparência de democracia, bem vista na chamada Copa do Brasil (Visto como: o campeonato de futebol mais democrático do nosso país!). Além disso, este próprio texto deixa transparecer tais taxações: “Só que os principais clubes do Brasil estavam na Copa União”. Como? Quais critérios tu utilizastes para afirmar que aqueles eram “os principais clubes do Brasil”? Mais se a taça das bolinhas merece um dono, neste estúpido teatro do futebol, que seja o seu verdadeiro dono: o Santos, que ganhou cinco vezes seguida a taça Brasil, hoje reconhecidamente o campeonato brasileiro. Mas como a própria Diretoria do Santos afirmou “Nem queremos entrar nesta disputa estúpida e sem importância para nós”. Que as peças subam ao palco do teatro, e a festa continue. Esperamos o novo time do Sul/Sudeste campeão brasileiro. E as proximas discussões inuteis.

5 de março de 2011 12:57 Paulo Moraes disse...

Caro Lineker

Concordo com tudo o que disseste sobre o tema, e o termo principais clubes do Brasil, também discordo do termo, mas no entanto a mídia construiu isso historicamente, mesmo não concordando existem times principais e times coadjuvantes que por uma coincidência do destino se dividem entre Sul e Norte, respectivamente. A questão é como os coadjuvantes irão se tornar os principais, isso se dará quando os torcedores nordestinos perderem a mania de achar que torcem para os times do Sul por simples escolha e entenderem sim que fazem esta escolha por alienação do nosso futebol.

5 de março de 2011 19:32 Ulisses disse...

Dialogando com Lineker, também tenho acordo no que fala. Só que precisamos avançar (no bom sentido) um pouco mais, e deixar de olhar os clubes de futebol pois independente de ser serie A,B,C,D...Z, estes sempre vão ganhar alguma coisa...porém a questão central está no "lado" oposto que é o torcedor. Como Paulão diz ficar todo final de semana assistindo antes de Faustão Flamengo e/ou Corinthians, e os demais torcedores, de cada estado ficam sem ver seus times? Agora observe outra máxima do futebol(comercio) que está ligado a transmissão que é por questão de "segurança e modernidade" os estádios que antes abrigava um público de 100 mil ou até mais torcedores, hoje estão sendo reduzidos para 50 ou 40 mil (padrão fifa) forçando com muitos torcedores se contentem com as transmissões que em grande maioria é no canal fechado. A única coia boa, no meu ponto de vista, para o torcedor nessa briga é ter a possibilidade de ter os horários dos jogos mudados e não ficar refem de esperar as 22 horas (depois da novela/realety shows) para assistir aos jogos e retornarem para suas casas no inicio da madrugada. Agora é esperar o resultado.
Abraços e parabéns Paulão pela postagem, alias pelas postagens.

6 de março de 2011 06:32 Marcos Rosa disse...

Nem precisa dizer que R. Teixeira é um dos maiores culpados por esta confusão, de quebra a globo leva outro quinhão da culpa. Infelizmente só a justiça comum pra resolver isto aí. E espero que mantenha a decisão favorável ao Sport - apesar da rivalidade local me fazer torcer contra o time pernambucano, o senso de justiça é maior e não seria correto que o Flamengo levasse essa.
Com relação a fraca produtividade dos times do Nordeste: Não acho que a causa seria apenas o fato dos torcedores desviarem suas atenções para os times do sul, mas principalmente a incompetência gestora e os parcos recursos econômicos, sem mencionar o uso político do cargo de presidente do clube.
Sou Bahia e nunca conseguir torcer pra outro time, confesso que até tentei torcer pra dois , três times mas não deu certo. Nem um time do Brasil ganha minha simpatia a tal ponto que me faça torcer por ele dois jogos seguidos. Porém, tenho visto a questão dos times do sul ganharem torcedores do Norte e Nordeste com um olhar diferente: penso que a emoção que move o torcedor apaixonado pelo futebol, nem sempre se coaduna com o regionalismo. Assim, uma criança se apaixonar mais facilmente pelo Vascão, São Paulo, etc sempre campeão e pode tirar um sarro dos seus coleguinhas da escola, e para ele isso não tem nada de errado, pois os times daqui não lhe oferecem esta oportunidade. E pouco importa, pra ele, se o time é de São paulo, Rio, etc. Esse regionalismo só será real pra ele quando sua infância estiver longe. Logo, por ser uma escolha movida pela emoção, paixão estes torcedores não podem ser culpados de torcer pra outros times enquanto fazem estas escolhas quanto criança. É ruim, mas até as palavras do ilustre torcedor do bahia - O Binha - não se tornarem realidade teremos que dividir a torcida do Estado com os times do Sul/Sudeste.

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