Nós feirenses somos ortodoxos!!!

                                                      |Por Uyatã Rayra|

Não sei mais o que inventar às pessoas que me perguntam o que é que Feira tem! Tal pergunta corrói-me como ácido; meu amor por Feira é míope, iludido, esperançoso...


Feira tem mais de 600 mil pessoas, é um dos maiores interpostos comerciais, maior entroncamento rodoviário do norte-nordeste, está entre as 100 maiores cidades do Brasil e é a 2ª maior cidade da Bahia. Nada disso é de fato relevante, perante a teima em conservar um provincianismo que nos remete às vilas comandadas pelo coronelismo dos séculos passados.

Desde que nasci nossa cidade é comandada por velhos caciques que impregnam nosso ar sertano-agrestino com um ranço ruim que nem um zetalitro de alfazema consegue purificar. Á medida de esclarecimento, tais foram nossos prefeitos desde o ano que nasci: José Falcão, Colbert Martins, João Durval, José Raimundo, José Falcão de novo, Clailton Mascarenhas, José Ronaldo dois mandatos consecutivos e finalmente Tarcízio Pimenta. José Raimundo e Clailton eram vices que se tornaram prefeitos, o primeiro pela renúncia de João Durval – pois desejou se candidatar a governador – e o segundo pela morte de José Falcão. De todos acima, o único que se salva – segundo as lendas que me contaram – é Colbert Martins . Nós feirenses somos ortodoxos, e adoramos ser assim!

O reflexo desse conservadorismo não é só político, é estético, cultural, comportamental, cerebral!!! Recordo-me transtornado do dia em que Yohanna - essa mesma que escreveu o texto “É companheiro, estamos na superfície”- me falou que estava se saindo de Feira, pois queria se embrenhar no Teatro, e que não dava para viver o seu sonho aqui; foi pro sul. Acredito que ela não conseguiu mais conviver imersa em tanta inércia cultural. E será mesmo esse o replay ?? “O seu amor, ame-o e deixe-o”?!?!

Tivemos alguns avanços nos últimos anos, reconheço! As artes plásticas e o teatro são as artes que ensaiam os passos mais largos, e estão tendo uma representatividade cada vez maior na cidade, mas ainda assim permanecem ilhados, setorizados; avançam timidamente além dos seus redutos e não conseguem congregar ao menos 1% da população. Vem-me a mente uma situação semelhante, que inundava o Recife da década de 80. Lá foi necessário emergir a cena Manguebit para que pudesse ser resgatada a identidade cultural.

Semana passada estive em João Pessoa na Paraíba - onde  Chico César é secretário de cultura. Dos sete dias que passei em João Pessoa, não consegui identificar uma apresentação artística que me desagradasse, e fiquei muito impressionado com isso. A banda mais troncha era no mínimo surpreendente, a mais pop possuía arranjos instigantes. Presenciei desde os encantos da cultura de raiz à levitação da psicodelia. A produção cinematográfica resgatava os tempos do cinema mudo- a trilha sonora era feita ao vivo pela banda Burro Morto. Os grafites no trem feitos por Derbyblue transcendiam as linhas imaginárias...

23 anos em Feira e não presenciei metade do que em sete dias na Paraíba. É decepcionante para mim perceber o quanto Feira está estacionada. O que temos a nos orgulhar além do dinâmico comércio? O Amélio Amorim, o Cuca, o Margarida Ribeiro, o Maestro Miro, o MAC, o Museu Casa do Sertão, O Bando Anunciador, o Mercado de Arte, o Centro de Abastecimento, o Observatório Antares, o Parque do Saber, a Biblioteca Municipal, a Senzala, a Biblioteca Julieta Carteado, a UEFS, o Shopping Boulevard, o Jeca Total, a Cidade da Cultura, e os outros mil bares da cidade?!?!?!? Só para apreciarmos o valor que a política municipal agrega à cultura local, atentemos para a nossa Secretaria de Cultura – que na verdade é a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, como se fosse tudo um só ramo. Esta é chefiada pelo secretário Euclides Artur Costa de Andrade, que não é nem artista, nem esportista, mas sim advogado.

Desde o ano passado acompanho os árduos esforços do “Feira Coletivo” na tentativa de movimentar a cidade criando um público, uma cena - PARABÉNS PARA ELES!!!. Hoje, além da  Clube de Patifes, é difícil vislumbrar uma banda que tente agir ativamente na criação de uma cena em Feira de Santana,- vem-me a cabeça a Roça Sound e as Audições Itapororocas,  mas ainda assim  com incidência ínfima. Acendamos o sinal vermelho e soemos o alarme, FEIRA VEGETA. Ano passado houve a tentativa de se realizar o “Feira Noise Festival”, e mesmo tendo sido realizado a duras penas, não veio a atingir grande sucesso, justamente por não dispor de recursos financeiros suficientes. Em conversa com um dos organizadores, ele revelou-me que a intenção era criar um espaço multimídia dentro do festival, miscigenando uma feira de artesanato, com apresentações circenses, cinema, cultura de raiz, dança e música. Um projeto impecável! Contudo, quando pediu apoio à prefeitura municipal - menos de 20 mil reais –, ela negou, alegando indisponibilidade de recursos. Oras, paga-se cachês extraordinários para bandas de fora na inauguração de obras, no Micareta, no São João, no São Pedro, na Expofeira, e não há disponibilidade de recursos para investir na fermentação da cultura da própria cidade?? Será que o retorno para a cidade será mais profícuo, ao investir dinheiro somente na cultura forânea ??

Até a vila do Capão, que não deve somar mais que 3000 mil pessoas, se organizou e promoveu em junho desse ano o 1º Festival de Jazz do Capão - contando com apresentações do Circo do Capão, de bandas locais, e forasteiras. Tenho certeza que Feira de Santana tem potencial para ser um pólo cultural nacional. Realmente não compreendo o que nos é empecilho! Será o provincianismo da política municipal?? Será a nossa própria ortodoxia? Antes de mais nada é necessário uma insurreição mental!  


Abaixo seguem links de alguns artistas da cena paraibana, que chamaram minha atenção:

Burro Morto - Psicodelia

Cabruêra – Ciranda, rock and roll, psicodelia, afins...

Chico Corrêa e Eletronic Band – Côco, baião, repente e música eletrônica

 
Derbyblue – Grafismo

Sacal - Hip-Hop

Totonho e os Cabra – Sons nordestinos, drum n’ bass, rock and roll, música eletrônica, e afins ...

 
Ubella Preta – Psicodelia
Vó Mera e seus netinhos – Ciranda e côco de roda

Zefirina Bomba – Rock and Roll

32 comentários:

3 de agosto de 2010 20:16 Lorena disse...

que dilema o nosso,hein? que mais depois do 'ame-o ou deixe-o' e do 'ame-o e deixe-o'?
talvez 'ame-o e destrua/reconstrua/descontrua/reconstrua-o'?
o amor não é ortodoxo. ele se movimenta. estamos dispostos a amar?

4 de agosto de 2010 05:26 Hum bárbaro disse...

Belo texto Uyaty,devemos lembrar que a "maresia" na área cultural,não é só dos políticos e "autoridades",mas também de uma parcela de conterrâneos nossos, que que estão vendo o bonde passar e dando tchauzinho.E outra, concordo com você no que diz respeito a potêncialidade da Princesinha pra ser um polo/entroncamento cultural.
AXÉ!

4 de agosto de 2010 05:30 Raíssa Caldas disse...

Quando a permissividade é maior, nossa alma flutua. Eu senti isso numa madrugada na tenda montada entre as árvores quando cantaram pra São Pedro proteger o raio.

4 de agosto de 2010 06:32 Uyatã disse...

ÊA!!

De fato Hum Bárbaro*, nós citadinos também temos boa parcela de responsabilidade na morosidade feirense, não a toa questionei se é a nossa ortodoxia que impede o avanço.

Mas não nos iludemos!! As rádios e os jornais feirenses são serviçais dos "senhores",a televisão é do grupo ACM!! As informações são unívocas!!! É uma alicerce muito bem cimentada!!!

*Distante das redes virtuais, Hum Bárbaro responde por qual alcunha???

4 de agosto de 2010 06:47 De Tudo de Helena disse...

Tudo colabora. Estou indo a uma amostra de cinema Frances produzida pelo SESC, no CUCA, todas as terças. São dois filmes, um atras do outro. Ha uns 15 dias, só em uma semana, fui a duas peças sensacionais: "Peer Gynt" (No Margarida Ribeiro) e "NU de mim mesmo" (No Amelio Amorim). Antes fui ao show de Chico Cesar, acho que na semana anterior. Dom Maths tem feito um som sempre em alguns cantos da cidade. Sabe o que falta? Óbvio uma política publica e uma gestão mais efetiva, mas falta E-DU-CA-ÇÃO!..é..educação antes incutida na cabecinha dos estudantes, mostrando que a aculturação de Feira de Santana está nas posturas e desejos (eu desejo antes a morte absoluta dos pagodes e arrochas à solta). Lamento, lamento..nesses 'eventos' todos que fui, nos filminhos franceses contam-se no maximo 20 pessoas nas salas. Nas peças, teatros confortavelmente cheios, mas sente-se o cheiro de mofo. A heterodoxia se revelará quando nas nossas mentes forem incutidas, e dos nossos filhos, a premissa de que, arte e cultura está dentro de cada um e quem a busca, encontra.E não encontra naquele bar da esquina apenas tocando musica chula. Encontra-se abrindo os jornais, indo aos centros de cultura que oferecem cursos gratuitos, etc. Feira não tem mesmo um Jornal Impresso, não tem uma midia de excelência, mas tem algumas coisas acontecendo (A TRANSA REVISTA, bandas boas rolando...). Vamos botar pra frente e essa ortodoxia vai pras cucuias!

4 de agosto de 2010 06:49 De Tudo de Helena disse...

Um textão e esqueci um detalhe: Grana não é tanto problema, esses eventos, a maioria, é de graça. No maximo paga-se 10,00. Nós tomamos tantas cervejas por aí, né?....

4 de agosto de 2010 07:52 Ederval Fernandes disse...

Peço licença, Helena, pra discordar de você a respeito da suposta baixa "qualidade" do Pagode e do Arrocha. O fato dessas músicas habitarem mais rádios e os espaços públicos da cidade não é, necessariamente, por suas "parcas" proposições estéticas, mas sim pela política monotemática e centralizadora que empresários, donos de rádios e toda sorte de escroque se vale pra ganhar dinheiro.

Por isso não acho o Pagode e o Arrocha algo chulo. Eles são, à maneira, expressão popular de alguma relevância e se há muita temática sexista em seu discurso, isso muito se deve a atual conjuntura sexista do mundo, onde a mais tola publicidade está entulhada de simbologia e sublimação sexista. Claro que isso é um processo dialético, e eu não pretendo aqui defender os pagodeiros ou os arrocheiros de suas respectivas "culpas", mas o que eu quero dizer mesmo é que eles não são completamente culpados.

4 de agosto de 2010 12:35 Ana Paula Duarte disse...

Quando me perguntam o que Feira tem respondo logo " BAR". É sim de nossa cultura sair aos fins de semana para os bares...Isso é inegável. Mas acho que faltem incentivos que incrementem e outros programas para os feirenses. Estive no CUCA na semana passada, vendo o mini-concerto de cordas e a sala estava lotada, ou seja, acho mesmo que há esperança e quando há divulgação e opção, as pessoas frequentam, prestigiam. Amei a iniciativa de Dionorina ao organizar no teatro do CUCA um evento do clube Caiubí, fui e não me arrependi, muito bom, e depois fui tomar minhas cervas no bar- noite feirense perfeita.

4 de agosto de 2010 12:46 williams lima disse...

Sou de Campina Grande-Paraíba, e aqui na cidade talvez tenhamos os mesmos problemas relacionados a cultura que Feira. Aqui o secretário de cultura é um empresário de uma banda de forro eletrônico, e este senhor é responsável por "selecionar" as atrações do evento que costumaram chamar de "Maior São João do Mundo",título que apenas se sustenta por conta da mídia. Campina Grande necessita de muito mais fomenta a cultura, espaços públicos de apresentações e incentivo aos diversos artistas e bandas que participam de festivais internacionais e que aparecem pela cidade uma vez por ano, a Cabruêra e suas multiplas transformações é natural de Campina.
O caso de João Pessoa é que a capital está sendo privilegiada por ter como secretário de cultura o Chico Cesar que vive culturas!
Campina Grande na Paraíba se assemelha com Feira de Satana também no aspecto cultural, creio Eu. Os ditos alternativos tem de buscar os bares e repúblicas para exporem e absorverem as abstrações resultante das mentalidades ávidas por culturas!

4 de agosto de 2010 13:06 Jopatife disse...

Ederval, vc realmente mexeu numa coisa complicada. Não nego que pagode e arrocha seja expressão popular, mas existe uma ditadura cultural, que determina o que as pessoas devem ouvir, daí surge em resposta a essa imposição algo como pagode baiano que vai para as radios vira trilha sonora do povo que continua produzindo o pagode e arrocha, o som que permeiam seus ouvidos . No mesmo país que é produzido musica com teor sexista e baixo, também é produzida música com outras temáticas, na mesma periferia que vem o pagode, também vem o reggae, então não é por aí, tudo culpa da publicidade. Outro detalhe é que quem toca em bandas de pagode e arrocha, são oportunistas que dançam literalmente, conforme a música, se a musica da onda for jazz, vai ter um bando de louco aí tirando onda de jazzistas e exigindo silencio da platéia para expelir seus improvisos e ganhar uns bons trocados.

4 de agosto de 2010 13:32 Jopatife disse...

Helena e Ana Paula, vcs falaram de alguns eventos que aconteceram e acontece na cidade. Legal, mas para mim, isso é muito pouco para uma cidade com 600 mil habitantes. Será que há uma preocupação por parte do CUCA de alcançar o maior numero de habitantes possível? E realmente dá alternativas culturais à população? Vejo a coisa toda muito elitizada, coisa pra intelectual. A falha ja começa na própria divulgação, basicamente a uefs, será que só se interessa por filme francês estudantes de lá, e o concerto de cordas? Uma sala lotada? Quantas pessoas? 300? 500? Será que esses eventos vai mudar alguma coisa na realidade local? Vem aí o aberto do CUCA, mais um evento inexpressivo feito com intuito de executar o calendário anual da instituição e fazer o clipping dizendo que aconteceu, é tudo feito com uma mediocridade sem fim. Fora que não há incentivo algum para desenvolver uma linguagem artística local, não há espaços para as bandas tocarem, se vc não produzir, vc não toca. Eventos da prefeitura tem sempre os mesmos "artistas/oportunistas" Zélia Zai, Paulo Bindá? O grande momento da música feirense é o ridículo Vozes da Terra. Os artístas locais tem que ficar implorando espaços na cidade para poder apresentar seu trabalho, nossos centros culturais não sabem o que é que a cidade tem, vc tem que tá la mostrando a cara todo dia e implorando por uma oportunidade, quem faz isso consegue uma apresentação ou outra. Eu acho que no texto de Uyatan as queixas vão bem mais além de o fato de termos poucas alternativas para ir num sábado à noite. Falta muito apoio e incentivo para quem vai estar no palco, o artísta. Como disse a Uyatan em Feira nunca houve uma gestão pública preocupada com cultura, fomento e desenvolvimento da cadeia produtiva deste setor na cidade.

4 de agosto de 2010 20:16 Renato Moss disse...

Apesar de não ser feirense sinto-me naturalizado como tal, e creio que uma década é suficiente para ao menos sentir o dissabor que é passar finais de semana reinventando o tédio do além-bar que existe na cidade. entretanto não deixo de fazer a minha parte, procuro freqüentar e divulgar todo tipo de evento que me é noticiado, é claro, não temos um pólo artístico que cativa a massa da sociedade mas temos algumas fagulhas que com o tempo, acredito, irão sim aquecer a era glacial da cultura feirense. A razão dessa inércia cultural creio que foi bem sintetizada pelo texto do camarada aí em cima, mas e aí? as soluções? para existir uma solução primeiramente deve-se identificar o problema, e a inércia cultural da cidade só tem sido problema para uns poucos, que, como já citaram, diante de 600 mil habitantes não significam muita coisa. enfim, acho que tudo é bem vindo, a cidade está carente, seja música irreverente, fotografias ousadas, pinturas lisérgicas ou peças teatrais, mas o que no meu ponto de vista é fator fundamental para transpor o carisma que a arte necessita é a preocupação com qualidade. não é toda música sem forma que é experimental, não é toda pintura aleatória que é abstrata... o que eu vejo é que a arte ainda aqui é tratada como a indústria primária trata sua produção, o excelente é exportado e ficamos com as sobras... isso por falta de consumidores (da arte)? entendo que como "De Tudo Helena" comentou, essa E-D-U-C-A-Ç-Ã-O ajuda a desenvolver o sexto sentido para apreciação de tudo que pode ser entendido como arte.. mas ao tempo que essa fome for tomando conta das nossas entranhas, teremos aqui como saciá-las? acredito que a solução tenha de vir numa via de mão dupla, se produzirmos com excelência vamos pra Montreaux e se nos educarmos demais entraremos no dilema "Amar e deixar". Quem vai dar o sangue por feira amigo(a)?

4 de agosto de 2010 20:16 Renato Moss disse...
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4 de agosto de 2010 20:17 Renato Moss disse...
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4 de agosto de 2010 20:17 Renato Moss disse...
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5 de agosto de 2010 05:21 Jopatife disse...

Gostei do texto de Renato Moss. Eu não sou de Feira também, mas gosto da cidade e é onde vivo e vou trabalhar pela cultura aqui. Acho que o problema já foi detectado. Não concordo com essa de ir embora, como Renato bem disse, temos que dar o sangue por melhorias aqui, vai ficar nessa para sempre? Para mim as energias inicialmente tem que estar concentrada na formação de platéia, o Feira Coletivo Cultural, o qual faço parte, tem alguns projetos nesse sentido para ano que vem, mas não temos recursos, estamos em busca disso e também servindo como grupo de pressão junto ao governo municipal. A Secretaria do Município tem que agir também, mas toda verba é gasta com 1 evento. Falei com secretário semana passada e ele disse que a prefeitura faz muito pela cultura em feira, investe em quadrilhas juninas e no micareta, é foda. As poucas instituições que ainda fazem alguma coisa pela cultura fica preso a o resgate do que foi feito no passado, não que não seja importante, mas tem produto cultural sendo produzido hoje, nos nossos dias e que são deixados às traças, tem que haver incentivo a isso também. Precisamos pressionar os gestores públicos e cobrar dos mesmos ações mais consistentes neste sentido.

5 de agosto de 2010 05:33 Página 50 disse...

Se as pessoas em Feira de Santana não se movem nem quando as atingem de forma direta, transporte urbano um caos e um dos mais caros do Brasil, ruas esburacadas com as simples chuvas de inverno, a prefeitura gasta milhões em propagandas e leva os professores do município à uma greve de mais de dois meses, imagine se as pessoas vão se preocupar com a questão cultural, onde se tem um festival que ganha quem eles querem. É preciso mudar a forma das pessoas se postarem na cidade, para mudar esta realidade tem que agir e não apenas de forma individualizada, tem que se inserir na luta política para transformar o que está, pois está e não é para sempre.

Parabéns Uyatã
Bela visão sobre nossa bela Fêra de Santana!

5 de agosto de 2010 09:40 Ramon disse...

Tudo já foi dito, entre texto e comentários…
Porém acredito que muito do que acontece em feira ainda esta atrelado a mente ortodoxa, que o Uyatã nos fala, dos empresários da cidade; o patrocínio ou melhor o investimento em cultura e muito pouco para maioria destes senhores de mente capitalista, falta investimento e preocupação da gestão municipal é um fato, indiscutível.
Muito foi falado sobre a falta de opções, mas percebo que o cenário vem se transformando, e como mostro minha cara "De Tudo de Helena" as opções não foram poucas, para o que já foi essa cidade. Poderiamos a um tempo citar a falta de demanda para uma cena cultural maior em Feira, mas esta já se mostrou grande, falta agora é mostrar a esse público as opções (embora ainda poucas) existentes, quem sabe assim a cidade passe a oferecer opções.

5 de agosto de 2010 11:26 De Tudo de Helena disse...

Acho o texto pertinente e o 'problema' da alienação cultural não é só em Feira de Santana. O país todo sofre a tortura da incutição do que é ruim (quando se trata de cultura e música). Sou sim completamente 'pagodofóbica' e 'arrochofóbica', mas essa não é a discussão aqui. Por exemplo, a Prefeitura quando faz seus eventos, inaugurações, por eu trabalhar num órgão de comunicação tenho conhecimento das cifras. Pagaram R$ 30.000,00 à Banda Chula Black Style. Eu queria ali a Clube de Patifes, por exemplo. Inumeras bandas ótimas na cidade. Jopatife, o que eu quis dizer é que quando se quer, se descobre o que existe na cidade. O Feira Noise ano passado foi um exemplo disso. Um festival ótimo, com pouco publico. Qual a resposta pra isso? É porque não ha 'nada pra fazer' em Feira? Ja cansei de ir sozinha pra varios eventos, que tem um 'gato pingado'. Ha que se ter mais e mais, óbvio, mas isso depende de uma catequese maior, insisto, nessas cabecinhas ocas que ainda existem por aí, subjugadas. O povo tem talvez o que merece. O povo de Feira quer pagode, isso é fato. Vide os eventos citados pelo Uiatã, que são em sua essencia 'cults', como Jocapone denominou os que citei tambem. Não é restrito! Os eventos são abertos ao publico e o povo não vai porque não quer mesmo. Viva a Micareta pagodeira de Feira, é disso que o povo de Feira gosta..:)

5 de agosto de 2010 13:06 Jopatife disse...

Eu entendo Helena. E sei da importância de ter os eventos, poucos que sejam. Mas discordo que o povo só queira pagode, só queira micareta, na verdade, é a unica coisa que é oferecida ao grande publico. Por isso bato na tecla de que tem que trabalhar na formação de platéia. Tem que encontrar alternativas para alcançar o grande público e mostra as múltiplas faces da cultura. Como bem falou Uyatã, nosso secretário de cultura é advogado. O cara tá tomando conta de uma importante pasta como essa e se for convocado para um debate sobre esses problemas que estamos discutindo aqui, ele não vai dizer coisa com coisa. No ultimo encontro que tive com ele, ele falou que era preferível gastar 250 mil com bruno e marrone que gastar 70 mil com um festival de artes integradas que não vai reunir mais que 2 mil pessoas. Pois são essas pessoas que esta pensando a cultura em feira.

5 de agosto de 2010 16:06 De Tudo de Helena disse...

Exatamente. Bases sólidas governamentais e uma gestão que valorize a cultura local...mas foi exatamente o que eu disse, primar pela platéia. A platéia sou eu, não? Se eu não valorizar, ir, prestigiar..e junto com isso tambem a gestão municipal não investir..vixe... Fica isso aí. É..Feira não gosta mesmo só de pagode..de arrocha tambem..hehehe..;-)

5 de agosto de 2010 19:04 Hum bárbaro disse...

Toda essa discussão não serve de nada se ninguém levantar a bunda da cadeira e as retinas da frente do computador fazer algo realmente relevante,para e nossa cultura feiranse,como diziam os caranguejos com cerebro,Fêra está morrendo do coração e precissa de um SHOK,pra tentar reanimar esse coraça que tá minguando.

*Há Uyatã,fora dos meios virtuais e também em alguns deles me chamam de Will.

6 de agosto de 2010 19:22 Cléo Emidio disse...

Massa o seu texto Uiatiuvis! Boa a discussão postada nos comentários, parabéns a toda galera que direta ou indiretamente ta fazendo algo e participando do debate.

7 de agosto de 2010 10:42 Ana Paula Duarte disse...

Jopatife, eu bem sei que os eventos que tem acontecido são poucos e tímidos apra quantidade de jovens e mesmo todas as faixas etárias da cidade, mas, posso perceber que têm acontecido com mais assiduidade do que antes...Também discordo que o povo queira apenas o popular "rala até o chão" ou "arroche bem gostoso". Se houverem eventos de qualidade, a cultura feirense será sim impulsionada.Perfeita discussão a que se faz aqui!
Abraço a todos!

7 de agosto de 2010 22:12 Maycon disse...

Morte aos arrocheiros? Oportunistas? Pera lá, minha gente, faço minhas as palavras de Ederval.

Lembremos que o "problema da cultura", por assim dizer, é muito mais generalizado e não se restringe à Princesinha. Se contarmos com o fato de que só na última década o Brasil conhece as políticas culturais, percebemos como o Ministério da Cultura é bastante recente e embrionário. Aliás, o slogan deste no governo FCH ("cultura é um bom negócio") é emblemático neste sentido. O que acho então é que cidades com governantes de extremo conservadorismo tais quais a grande maioria dos de Feira não conseguiram estabelecer sequer uma Secretaria de Cultura para acompanhar tendências mais democráticas no âmbito nacional, vide as - terríveis, aliás - condições a que são submetidos os artistas através ProCultura, que poode ser tudo menos "pro". Agora me pergunte se isso lá é política cultural, relegando a arte à misericórdia do empresariado feirense.
Por fim, sou obrigado a discordar de Uyatã (embora eu tenha adorado a provocação do texto) ao problematizar o fato do atual secretário não ser artista ou desportista. Não sejamos ortodoxos.

8 de agosto de 2010 10:09 Uyatã disse...

Boa Maicon !!!

De fato, ser advogado, não representa um pré-requisito negativo para atuar na área de Cultura ou Esportes!! Fui reducionista no meu texto, e quis que assim fosse !!!

A atenção deve ser voltada ,entretanto, para a responsabilidade que é destinada a Secretaria de Cultura do município. Nossa desenvoltura comercial se expande para todas as esferas de convívio social; FHC aqui em Feira não passa da condição de nascituro.

"Adoramos" nomear vereadores eleitos para serem secretários, para assim seus suplentes assumirem uma cadeira na câmara, e todo mundo ficar com um excelente emprego!

Ano passado era o vereador Alcione Cedraz quem estava a frente da Secretaria de Cultura e o senhor Euclides Artur Costa de Andrade era o Secretário de Desenvolvimento Econômico. Hoje o senhor Euclides é secretário de Cultura, e o verador Justiniano França (até 3 semanas atrás) Secretário de Desenvolvimento Econômico.

Não necessariamente será um artista o redentor da Cultura feirense. Mas, se o gestor de cultura do município não estiver embrenhado nas diversas movimentações artísticas que acontecem pela cidade, não saberá quais são suas dificuldades.

9 de agosto de 2010 19:30 Weslley M. Almeida disse...

Texto incisivo e pertinente para o contexto político-cultural em que vivemos aqui.
Feira tem mostrado sinais de respiração cultural, deve-se ainda abrir mais e mais espaço para este fôlego. Nossa participação e divulgação dos eventos é algo mínimo (mas não pouco importante) que podemos fazer. Outras iniciativas, como exigir formalmente do prefeito e do secretário de cultura ações contundentes na área, engendram o rol de possibilidades para uma vivência pró-cultura, que nos é urgente!

9 de agosto de 2010 22:47 Marcelo Oliveira disse...

Participei do Pró-Cultura ano passado e estou participando novamente. Da captação de recursos realizada em 2009 para esta agora a situação do programa não mudou e, pra ser sincero, piorou. Além da maioria das empresas não possuir setor responsável para investimentos na área cultural, apenas uma parcela muito pequena delas pode participar da Lei de Incentivo, pois existem pré-requisitos como não receber qualquer tipo de abatimento fiscal (a maioria das empresas recebe por ser optante do plano Simples Nacional) e ser uma empresa prestadora de serviços. Enfim, é busca de um fio de cabelo de sapo, humilhante, e a prefeitura não ajuda em nada a vida de artistas e produtores - pelo contrário. A visita à secretaria de Cultura é desestimulante, principalmente pelo ambiente ser composto por completos ignorantes em relação a questões fundamentais feirenses, como a cultura do agreste, um tanto sertaneja, ligada ao cordel, ao samba de roda, à xilogravura. Por essa razão, desisti de captar recursos em 2010 e contar com outros programas de apoio dos governos estadual e federal, que satisfazem minhas necessidades atuais e são realizadas com um trato respeitável ao artistas. Se possível for, gostaria de escrever um post para a Transa com minhas aventuras pelo Pró-Cultura e minha atual decisão em não participar mais disso e denunciar, de alguma forma, suas incongruências e atrasos.

Mas por enquanto deixo uma coisa pra reflexão: enquanto os artistas estão se matando pra conseguir uma graninha pra realizar seus projetos ligados à cultura feirense, a Secretaria de Cultura, Lazer, etc investe mais de R$10 mil no Festival de Música Gospel...

11 de agosto de 2010 06:27 paula disse...

Há algumas coisas ditas aqui que merecem ser repensadas mesmo como bandeiras para a Feira: educação, acima de tudo, aqueles que "guiam" a cultura da cidade e o direito a liberdade e expressão de todos.

Tudo bem, pagode é algo que, na melhor das hipóteses, está beirando o ridículo - se já n extrapolou - das relações de respeito, expressão, educação... mas está aí e não deve ser eliminado porque eu acho isso, da mesma forma que outras tantas coisas que não gosto também têm o tal direito (incluo aqui os malditos movimentos gospel que se paroveitam da ignorância de um povo pra ganhar um dinheiro e pra isso apelam pra a sexualidade, para a idolatria e etc, ao mesmo tempo que nas letras das músicas apelam para resignação, castice e etc...)

Contudo, aí é que entra o elemento bem dito aqui EDUCAÇÂO. Filhos, quantos de vocês já entraram em um sala de aula e encontram pessoas com a cabeça mais oca que cabaça vazia? E pior que isso é encontrar aqueles que graças a essas tais músicas, não conseguem construir uma frase sequer! - alguém aí já passou pelo pesadelo de ouvir: "professora, s dois, s dois" porque você fez algo que eles gostaram? - uma frase com o mínimo de sentido eles conseguem... (e, sim, linguístas, eu sei de suas postulações, mas vamos lá...realismo; pra tudo há limites...)

Muitas são as porcarias enfiadas nas cabeças dessas criaturas e, sim, todas pelo ralo da mídia! Por isso o pagode, o arrocha, os restars da vida estão aí com tanta força. O lenga-lenga de onde sai o dinheiro...

E eu me pergunto, de onde vem a educação que premia esses "doces monstros em formação" a eximir-se de pensar e simplemente engolir isso que lhes é empurrado dia-dia pelas máfias midiáticas e afins?

Então, penso que toda ela é apenas mais um braço disso que estamos envolvidos há séculos de poder em prol de mais poder.

Portanto, se não mudarmos mesmo quem "pensa" a cultura de uma cidade como um meio de manutenção da massa vazia para as manobras desejadas, não tem choro, ou ranger de dentes certo...

Mas pra isso, toda a inquietação de uns poucos é necessária para que se comece a tal "revolução". Não estou falando de cortar cabeça de ninguém, mas que comecemos a reclamar mesmo, e depois a montar coletivos que pensem isso e reunam as inquietações e depois ganhe força para exigir um comportamento diferente desses que se dizem secretários de culturas e todo o resto e depois comece a mudar a cabeça-oca dos jovens, desafiemo-os a pensar! e continuamente até que a palavra seja movimento na cidade de Feira!

- Feira é moviemnto e não merece nada diferente...

p.s.: Disse que não falei nada sobre cortas cabeças,mas se alguém aí estiver pensando em queimar ônibus, sequestrar alguns responsáveis e pressioná-los até o terror pra entender o que é um serviço de transporte decente na cidade, pode me chamar... Essa é uma outra discussão, mas achei que calhava aqui a propaganda.

11 de agosto de 2010 11:10 Jopatife disse...

Marcelo, concordo com cada palavra que vc disse sobre pro-cultura. Apresentei o projeto do Festival de Arte Integrada, Feira Noise ao secretario, que recusou e desdenhou do projeto, alegando não ter grande apelo eleitoreiro o evento e de força alguma na hora de conseguir votos. Fomos a Fundação Egberto Costa que gostou do projeto mas o maximo que fizeram por nós foi nos indicar o pró-cultura. Quando vi o edital desistir na hora, não dá. E os empresários feirenses não entendem a proposta e ainda acham que estão fazendo um favor, participando como patrocinadores com valores que serão abatidos dos impostos. É algo realmente humilhante para os artístas e produtores engajados com a cultura feirense. O Feira COletivo Cultural tem se engajado em se tornar um grupo de pressão nestes espaços, mas sabemos que por enquanto não temos forças para obter resultados, diante dos nossos gestores públicos, mas espero que isso seja revertido logo. QUem não conhece o grupo e deseja conhecer, nos reunimos todos os sabados no Amélio Amorim.

11 de agosto de 2010 17:48 De Tudo de Helena disse...

Pra quem diz que não rola nada de cultura em Feira: http://www.uefs.br/portal/sites/cuca

Beijos!

11 de agosto de 2010 18:00 De Tudo de Helena disse...

É Jó...ta brabo, né? Será que o Feira Noise não deveria acontecer a partir de uma tentativa de harmonia entre as bandas locais, cada uma travando uma 'luta diária' em busca de seus patrocinadores, mesmo com toda dificuldade? Não desista. Um dia, quem sabe, muda. Tudo que voce escreveu é fato e infelizmente esse cenário é a velha historia de continuar nadando, nadando...e nunca chegar à praia.

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