|por Franklin Oliveira|
Gente, hoje eu me preparei para ser líder da Segundona. A
oposição não diz que o Vitória não tem título nacional? Então esse ano vão ter
que nos aguentar. Desta vez nem liguei pro fato de Carpegiani não estar no
banco. Acho mesmo que ele gostou de ser suspenso por alguns jogos. A torcida
está no maior stress para que o leão saia desta posição de ficar na sala de
espera. Esteve em quarto lugar muito tempo, depois passou pra terceiro, e, na
semana passada, chegou ao segundo. Pararam por ali todos os Américas, mas agora
é nossa vez de chegar ao primeiro.
Essa semana eu também fiquei na sala de espera rezando pra
terminar esta crise da coluna. Como tinha dado alta a minha ureia aproveitei
ontem pra ver como estavam rins, fígado, próstata, e outros bichos. Só no COT
do Canela foi uma hora e meia esperando o exame, e olhem que em jejum! Ninguém
merece acordar as sete da madruga, ficar sem tomar café, se encher de agua, e ainda
ficar esperando até as nove e meia pelo exame. Mas pelo menos saiu tudo ok. O
exame deu normal, e até a dedada que ia tomar por esses dias no urologista está
adiada.
Nesse dia peguei o ortopedista depois do almoço. Já disse a
Cybele que não vou mais a nenhum médico sem horário marcado. A consulta tinha
sido adiada pois o médico teve que fazer uma operação. Mas quem amargou a
“operação espera” fui eu. Sai de casa às uma e meia pra ser atendido depois das
quatro. E era apenas uma consulta de revisão, pra mostrar os exames!
O resultado frustrou as minhas expectativas. O médico mandou
suspender as sessões de fisioterapia (que eu pensei que estavam me fazendo
bem), esculhambou os bloqueios que eu estava tomando nas costas, e confirmou um
diagnóstico que o anterior jurava que não existia. Enquanto um diz que eu tenho
estreitamento nas vertebras da coluna o outro afirma que sofro de uma doença
chamada fibromialgia. Durma-se com um barulho desses! O nome é bonito, até que
não pega mal, mas que pelo menos os diagnósticos coincidam!
Nesse dia aguentei mais salas de espera do que o Vitória na
Segundona. Aproveitei pra observar o povo que me acompanhava nas quase cinco
horas que passei lendo revistas e jornais. De manhã só havia senhoras de meia
idade, ou talvez de muita idade, quase dobrando o cabo da Boa Esperança. A
conversa girou sobre a demora da médica que fazia os exames, oscilando o papo
entre a insatisfação com a espera e a péssima assistência dos planos de saúde.
Não sei se vocês viram as “providências” tomadas pela presidenta
Dilma, na véspera das eleições municipais, contra o serviço! Pra responder a
aquele que é apontado pelas classes médias como um dos maiores problemas do
país, ela...puniu os pequenos planos evitando que possam ser vendidos prestando
um favor inestimável a Sul América, Saúde Bradesco, e outros menos votados.
De tarde deu pra se ter uma boa visão em como se criam as
crianças nesse país. Quando cheguei parecia uma creche com mães de tudo quanto
é tipo. Havia crianças de oito meses a quatro anos. Mas quem ficava de colo,
por mais incrível que possa parecer, era o mais velho. Enquanto isso os menores
circulavam com desenvoltura pela sala de estar do consultório, pintando,
gritando, e fazendo tudo a que tinham direito.
Só um menino usava chupeta, mas não todo o tempo, só quando
chorava, momento em que a prestimosa mãe enfiava o apetrecho em sua boca como
uma forma de dizer que não incomodasse. O garoto quieto só despertou quando os
meninos passaram a bulinar os brinquedos que haviam na sala de espera.
Ele ficou olhando com atenção a festança, e, bastou os
brinquedos caírem no chão, pra sair5 a toda velocidade para apanhá-los. Apesar
dos pais o criarem como um retardado o menino não é besta. Vi quando a mãe dele
falava com outra mãe sobre o filho desta. Quando ela afirmou que seu filho era
“uma criança ótima” sua reação foi dizer
- É quietinha, né?
Quer dizer que criança boa é aquela que fica na sua, em ordem,
sem fazer nada que não seja previsível. Enfim, uma criança “normal”. Enquanto
isso eu torcia para que o Vitória não fosse tão previsível. Já estávamos sem
Neto Baiano, que a incompetência da diretoria ajudou a que fosse pro Japão, e
jogava no interior do Paraná contra um bicho papão tradicional, o Atlético
Paranaense.
Nesse dia eu acabei indo pra casa do vizinho pois o jogo ia ser
transmitido pela Rede Bahia. Nos enpirulitamos nos sofás e o jogo começou. O
time estava disposto, correndo atrás da bola, mas futebol que é bom esqueceu em
Salvador. Também a partida estava muito marcada e só houve praticamente lances
de meio de campo no primeiro tempo. Parecia que tínhamos voltado ao tempo em
que a marcação era homem a homem.
Aos três minutos Nino fez um cruzamento, mas a bola passou por
toda a pequena área sem ninguém que metesse o pé pra fazer o gol. Mas, logo aos
cinco, Paulo Bayer chutou de longe e Gustavo fez golpe de vista. Depois o
goleiro se contundiu ao bater um tiro de meta de mau jeito. Levou o primeiro
tempo todo enrolado neste dilema shakespeariano: sai ou não sai?
Enquanto isso o jogo se arrastava no meio de campo. Aos 22
minutos é que ocorre o primeiro “chute” a gol, na verdade uma escapada de
Leilson pela esquerda fazendo um cruzamento pro goleiro do Atlético pegar.
Muito pouco! E quatro minutos depois, num cruzamento pra área, Paulo Bayer
cabeceou fraco pra Gustavo pegar e ficar no chão sem saber o que queria da
vida. Aqui pra nós essa bola até eu defendia!
Aos 32 minutos, enfim, uma bela jogada do leão quando Pedro Ken
enfia pra área e quase Marcelo Nicácio alcança de cabeça. O Atlético toma a
iniciativa das ações mas o jogo era mesmo um “baba” e não iria pra lugar nenhum
com nossos ex-jogadores Marcelo, na direita, e Wellington Saci, na esquerda,
que, graças a Deus, estavam do outro lado. O leão ia bem até a grande área mas
depois morria. Nino entrou bem pelo meio, mas adiantou demais a bola, aos 45
minutos, e, cinco minutos depois, Leilson teve a melhor oportunidade numa falha
da zaga mas chutou por cima do gol.
No intervalo eu e meu vizinho torcíamos pra que Paulo Bayer não
voltasse e que Carpé resolvesse o problema do goleiro. Não podíamos continuar
assim, com medo de qualquer bola que fosse pro gol. E não é que fomos atendidos
pelo homem lá de cima? O Paulão não voltou e o Atlético substituiu dois. No
Vitória entrou o Caio Secco no gol. Será que é parente da atriz Deborah Secco?
O segundo tempo começou um pouco melhor. Aos três o tal do Secco
já mostrava que não era tão ruim, saindo bem num escanteio e batendo rápido pra
Marquinhos fazer bela jogada lá na frente, embora chutasse fraco nas mãos do
goleiro. Dois minutos
depois foi a vez de Leilson estar na grande área, só que deu um furo
antológico. O Atlético melhora e Carpé ainda levou certo tempo pra substituir
Marcelo Nicácio pelo juvenil Willie. Do outro lado sai Saci. E aos 24, Marcelo agradece ao
tempo que passou no Vitória perdendo o maior gol da paróquia debaixo da trave
num rebote do goleiro Caio.
O Criciúma ganhava e parecia que nós iriamos sair da sala de
espera pra ficar bem longe, fora do consultório. Aos 26, Marquinhos, usando a
mão, bota uma bola que passa raspando a trave superior. Uéliton começa a ir
mais pra frente. Será que foi orientação de alguém? O que sei é que numa dessas
enfia uma bola açucarada pra Leilson que, assim como fez com o Paraná, corre
pra caramba e, sem ângulo, acerta no cantinho esquerdo do goleiro que ainda
pega na bola mas esta bate na trave e entra: um a zero.
Valeu, agora é bola pro mato que é jogo de campeonato. O
Atlético passa a pressionar mas os três zagueiros (Dankler, Vitor Ramos e
Gabriel) de Carpé dão conta do recado. Mas como eles não são de ferro uma bola
acaba sendo cruzada pra pequena área aos 42 e aí o Caio dá um pulo canastrão
sem pegar nada, e a bola sobra pra quem...Marcelo lógico, que chuta sem direção
perdendo outro gol impossível. Nunca esqueceremos de você Marcelo, continue
assim nos jogos contra o Vitória.
Franklin Oliveira Jr. é desportista,
escritor, professor universitário e criador do blog Memórias da Fonte Nova e da
WEB TV Pra que política?
1 comentários:
Eu não entendo nada de esportes, mas sei que eles tem que ter um ótimo plano de sul américa saúde para poder estar em perfeitas condições.
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