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Long live rock and roll!

|por João Guerra|
Na década de 50, saltava à evidência um ritmo musical que mudaria definitivamente os caminhos que a musica popular traçaria por todo o mundo. Todos já ouviram falar dele, o bom e velho - porém sempre atual - Rock and Roll. Como esse texto vai circular por meios internéticos, vou pontuá-lo com links para cada uma das bandas citadas no mesmo; o acesso a estes é opcional; mas contribuirão para uma melhor ilustração do panorama que se traça aqui da história do rock and roll.

Clube de Patifes: unindo as águas do Mississipi com as águas do Velho Chico

|Por Karine Braga*|
Foto: Guilherme Andriani
Quando novas bandas vão se formando, um desafio a elas se impõe: apresentar um trabalho autoral, correndo maiores riscos de rejeição ou apostar nos chamados “covers”, garantia de maior receptividade, cuja tendência, entretanto, é desaparecer tão logo o público se enfastie? Sendo difícil apostar numa ou noutra via, muitas vezes, os músicos optam por uma espécie de trabalho mesclado, em que um ou outro trabalho autoral vem à tona. 

Feira Noise Festival – o sábado, os shows


Integrantes da banda Graveola e o Lixo Polifônico. Foto: Maria Dolores

Sábado, 23. Segunda noite de shows do Feira Noise Festival, cuja edição inaugural se deu no ano passado. Cheguei cedo o suficiente para conferir a Casa de Vento, primeira banda a se apresentar. Algo que pouquíssima gente quis fazer, a julgar pelas arquibancadas quase vazias do Teatro de Arena. Assim que me acomodei lá no alto, a fim de – bem ao meu estilo – tudo observar sem ser notada, alguns arriscaram suposições: “é muito cedo”, “mais tarde começa a lotar”, “no hardcore a coisa melhora”. Essas pessoas não deixaram de ter sua razão. Depois das 20 horas, o público mais que triplicou. Nada que justifique, entretanto, a apatia quase generalizada quando o assunto é propor eventos alternativos em Feira de Santana. E não apenas por parte de quem abre mão de comparecer.

Pisa: trovador da Feira urbana



Pisa em ação no MAC - Foto: Dolores Rodriguez

Não é fácil achá-lo. Pisa não tem endereço fixo, não possui celular e muito menos uma rotina que permita encontrá-lo em determinado lugar a certa hora do dia. Não trabalha em qualquer empresa, não cumpre qualquer horário. Pisa nem mesmo possui violão. Toca e compõe com o instrumento que tiver próximo.

Nós feirenses somos ortodoxos!!!

                                                      |Por Uyatã Rayra|

Não sei mais o que inventar às pessoas que me perguntam o que é que Feira tem! Tal pergunta corrói-me como ácido; meu amor por Feira é míope, iludido, esperançoso...

Simona Talma - A moça mais vagal que há (Independente – 2008)

                                                                                               | Por Jó Patife|*

Nós há muito já sabemos que o blues não é dos estilos musicais mais populares por aqui. E se blues já é algo para poucos, imagine cantoras de blues no Brasil? É algo raríssimo. Claro que quando me refiro a blues em nosso país, sempre me refiro à coisa feita em bom português e com elementos que deixa a sonoridade mais abrasileirada. É! O blues tem esse diferencial de se adequar as dores locais, ajustando-se, de forma magnífica, à cultura onde ele “renasce”. E essa facilidade no geral se dá porque o lamento e a dor - premissas básicas do blues - são sentimentos comuns a todo ser humano em qualquer parte do mundo.

Audições da Itapororoca (Quartas e Quintas do Vinil)

A boa nova vem por intervenção do The Don's Som Systema, que estará realizando ambiências com discotecagem durante todo o mês de maio,no Bar Jeca Total, em Feira de Santana.

O Crew de Dj's, genuínamente feirense e formado pela dupla Don Guto e Don Maths, pretende em colaboração com o Espaço do Jeca - que tem como próprietário um grande entusiasta e especialista no assunto, no que se trata a coleção de lp's, João Eudes - e seus frequentadores, idealizar as Quartas e Quintas do Vinil. possibilitando aos amantes da cultura dos discos,audições minunciosas de grande parte de seu acervo de MPB, muitos deles raros,que por sua vez servirão de cobaias pra pré-produção de futuras Mix-Tapes da dupla.

Macunaíma Ópera Tupi: o melhor disco brasileiro da década!

                      |Por Uyatã Rayra|
                                                       
                                                                               


   
                                                                                   
Rá rá rá rá rá rá rá rá rá rá rá :D :D

Já estou a me divertir previamente com o possível espanto que vocês, adeptos deste blog, devem estar aparentando ao ler tamanha pretensão logo no título. Sei que 2010 ainda nem acabou, mas fiquei receoso de dar oportunidade a Rolling Stones de fazer tal afirmação antes de mim – embora não creia de forma alguma que isso venha acontecer de fato...   Todos que se sentirem feridos por essa declaração me perdoem, mas estou plenamente convicto, neste exato momento, quanto à veracidade do título. Não sou impermeável: caso alguns de vocês queiram me convencer do contrário terão até o dia 31 de dezembro para me passar o link do álbum brasileiro que vocês julgam ser o melhor da década, mesmo assim, acho que será muito difícil que eu volte atrás.

Macunaíma Ópera Tupi (2008) é a obra-prima de Iara Rennó. Sim, e daí??? Quem é essa tal de Iara Rennó???





Se vocês me fizessem essa mesma pergunta há dois anos eu não saberia responder!!!!!!! Foi justamente ao escutar o cd Estudando a Bossa (2008) que me veio a revelação. Ao ler a ficha técnica do derradeiro disco de Tom Zé chamou minha atenção o nome de Anelis Assumpção estar presente em uma das faixas, especialmente pelo sobrenome me remeter a Itamar Assumpção - um dos mais ilustres artistas da semi-oculta Vanguarda Paulista. Fiquei inquieto e fui buscar saber quem era a tal moça, logo descobri que ela era filha do dito cujo!! Daí em diante, procurei saber das produções dela, e se realmente tinha herdado alguma “lombra” do seu pai. Felizmente havia!!  Lambuzei meus ouvidos com mel, apreciando os dois álbuns da Dona Zica – Composição(2003) e Filme Brasileiro(2005) – que era a banda que Anelis fazia parte, enquanto percussionista e uma das cantoras. Outras duas meninas também se destacavam na banda, a saber: Andréia Dias e Iara Rennó. Quis saber da colé delas duas, e foi aí que dei de cara com o Macunaíma Ópera Tupi...

                                                Dona Zica

Iara Rennó é polivalente: cantora, compositora, instrumentista, arranjadora, produtora musical, dançarina, atriz e letróloga, além de filha de Alzira Espíndola – outra pérola da Vanguarda Paulista. Quanto ao último ponto, penso que se Lammarck estivesse vivo, se orgulharia em ver a sua teoria dos caracteres adquiridos sendo corporificada...
 
Iara é sim uma sereia, daquelas que entorpecem até os marujos mais piratas. Mas ela por si só não foi e nem é suficiente para fazer do seu disco o melhor da década!!!. Para que ela concebesse tal disco, teve que ser precedida por Mário de Andrade – autor do livro Macunaíma (1928) – e se não fosse por ele, com certeza eu não estaria aqui falando dela. O disco tem como mote principal a estória do “anti-herói”, e cada verso do álbum foi extraído do livro com certa fidelidade. Refletindo a diversidade multicultural presente no livro, ela pensou acertadamente em conclamar os mais díspares gênios da música brasileira para a construção do disco, e cada qual contribuiu proficuamente de acordo com as suas peculiaridades o que, a meu ver, auxiliou, também, no sucesso do disco. Numa lista incontável escolhi, arbitrariamente, ressaltar alguns deles: Tom Zé, Arrigo Barnabé, Kassin, Siba, Bocato, Buguinha Dub.


Algo que me comove também é a imprevisibilidade do álbum: numa faixa fica explícito elementos de música erudita, noutra vem a mente sinais de funk* carioca . Iara conseguiu esboçar o Brasil respeitando a realeza das nossas etnias, e para conseguir tal proeza não precisou esquartejar nossas raízes e vomitá-las aos nossos ouvidos, ao contrário apresentou-nos como nós somos: tenazmente intrincados miscigenadamente. Tornou-nos cosmopolitas!! O Macunaíma Ópera Tupi é um ritual sincrético daqueles bem mágicos mesmo. É violino, tambor, eletrônico, metais, psicodelia ... É moderno-antigo-atual-anacrônico. É cantiga de ninar, grito de acordar, cordel, ciranda, côco, e todo o pomar...


Nem sei se toda essa descrição fajuta seja gabarito para eleger o disco ao que ele já é. Se tais aspectos que apontei no disco da Iara fossem, de fato, decisivos, transbordaríamos de melhores discos da década - a maioria dos bons artistas brasileiros já segue uma cartilha semelhante. Macunaíma Ópera Tupi, por si só, consegue se erguer ao altar. Categorizá-lo é limitá-lo. Insisti nessa minha cavalice, não por almejar que vocês devam ter a mesma impressão que eu, apenas assumo uma postura de propagador. Fiquei agoniado em possuir jóia tão brilhante, e não exibir no pescoço para ofuscar os seus olhos.  

Já estou overdoseado, agora passo a seringa. Não tenham medo em se picar** ...

Lá vai o link da década:

http://rapidshare.com/files/147582462/UQT2008_Iara_Renno_-_Macunaima_Opera_Tupi.rar

Outros álbuns citados:

Dona Zica – Composição (2003): 

http://rapidshare.com/files/181788604/UQT2002_Dona_Zica_-_Composicao.rar

Dona Zica -  Filme Brasileiro (2005):
http://www.4shared.com/file/33098027/8a6b22b4/2005__filme_brasileiro.html




 * Na verdade, o ritmo da faixa é um ragga, o funk veio-me a mente quando da união com a letra.
 **Não tenho AIDS.

Vem ai o Fervura Feira Noise - 21/04



O Feira Coletivo Cultural nasceu no início de 2010 com intuito de fomentar e desenvolver atividades culturais em Feira de Santana. Entre os projetos do grupo está o Feira Noise Festival que terá sua segunda edição realizada em outubro deste ano. Com intuito de tornar cada vez mais forte o festival, o Feira Coletivo irá realizar aquecimentos para o Feira Noise durante o ano, foi a partir dessa idéia que nasceu o projeto FERVURA FEIRA NOISE. A primeira data para o FERVURA já está marcada e será realizada em parceria com o Circuito Fora do Eixo.






Nosso primeiro aquecimento fará parte da 2ª Tour Nordeste Fora do Eixo e contará com as duas mais badaladas bandas do cenário independente nacional na atualidade.




A Mini Box Lunar vem do Amapá e foi uma das bandas mais comentadas em 2009. Participou dos principais festivais independentes pelo Brasil no último ano e é presença garantida em 2010 em festivais como BANANADA e ABRIL PRO ROCK. O sonoridade é um Pop Folk Rock Psicodélico Tropicalista, isso mesmo, a influencias são diversas, mas este caleidoscópio sonoro é iluminado por nomes como Secos & Molhados e Mutantes e porque não citar também Caetano, Carmen Miranda? A banda não tem limites, entre marchinhas carnavalescas, baladas lisérgicas, valsinhas psicodélicas, doces melodias, guitarras discretas e um ar retrô todo especial o grupo empolga qualquer platéia com as texturas e sons ainda não vistos e ouvidos nas bandas de cá, pelo menos ao vivo e com muitas cores.
Myspace: http://www.myspace.com/miniboxlunar










Nevilton é uma banda paranaense e como a maioria das bandas vindas da região sul é fortemente influenciada pelo rock inglês principalmente Beatles, The Who, e coisas mais novas como Arctic Monkeys, mas o trio também bebe em outras fontes e nomes como Pixies, Cake, Los Hermanos, Hellacopters, Pavement, Razorlight, com certeza virão a sua cabeça assim que ouvir o EP lançado pela banda no ano passado, PRESUPOSTO, ou ao vê-la ao vivo, diga-se de passagem, ao vivo é onde a banda é simplesmente fantástica, extremamente performática e com uma energia sonora incomparável, não é à toa que a banda desde 2009 não para, esteve presente em grandes festivais e este ano continua seu giro, se apresentando nas principais cidades do nordeste.
Myspace: http://www.myspace.com/nevilton









Clube de Patifes já é um velho conhecido do público feirense, por tanto dispensa apresentações, nos seus já 12 anos de existência a banda faz um bluesrock energético e em português para nenhum fã do bom e velho rocknroll botar defeito, apresentando seu novo show que conta com a participação do DJ Don Maths, o mais novo sócio do clube, a banda só surpreende a cada apresentação e com certeza não será diferente no próximo dia 21 de Abril.


Myspace: http://www.myspace.com/clubedepatifes









Calafrio surgiu em 2005 liderada por Siddartha Guatamma e Pedro Patrocínio vai estar presente na primeira edição do Fervura Feira Noise completando a grade de atrações do evento. Com guitarras furiosas, muita melodia e uma pegada pop viciante, a banda mostra em suas composições influências diversas, de Beatles a Foo Fighters, mesclando o clássico com o novo tornando impossível você não vibrar com canções como Valet, Ácido, A+B, entre outras canções que já viraram verdadeiros hits locais e itens obrigatório no repertório do grupo. Neste 5 anos de estrada a banda já tem na bagagem dois trabalhos, o primeiro Ep chamado “Para ambos os lados” e em 2008 lançaram o álbum homônimo “Calafrio” com 11 faixas.

Myspace: http://www.myspace.com/calafrio


FERVURA FEIRA NOISE:

DATA: 21 DE ABRIL
LOCAL: BOTEKIN TEMATIC BAR – AV. JOÃO DURVAL CARNEIRO S/N – Próximo ao Antigo Bingo Feira.
HORÁRIO: 17 H
Ingessos: Antecipados R$ 8,00 à venda no Shopping Boulevard

Mais informações: http://feiracoletivo.blogspot.com/ - http://twitter.com/feiracoletivo

Rumba Dos Inadaptados








No quarto impecável, ao lado do corpo,
A carta, com um último artigo a sair no jornal de
Domingo,
No correio dos leitores,
Dizia assim:


 “Sou jovem, honesto, estudante, trabalho sou pago: eu pago os impostos, as letras, os juros, da casa, dos móveis, dos livros na estante, dos discos, dos filmes: que hei-de fazer?

Voz, violão, poesia e Sertão


Existe diferença entre um cantor e um “cantador”? Para Carlos Silva, “cantador profissional”, sim. Em entrevista a Caio Augusto e João Daniel G. Oliveira, o músico, poeta e cordelista explica que o cantador é responsável por falar da sua história, das suas raízes – ele é um ator social por obrigação.

Na noite do último sábado, em Feira de Santana, a Transa Revista foi conferir a apresentação de Carlos Silva no espaço Cidade da Cultura, localizado no Conjunto João Paulo II. Com um repertório de canções próprias e outras de mestres da cantoria (Xangai, Vital Farias, Raimundo Sodré), Silva iniciou sua apresentação com “Admirável Gado Novo”, de Zé Ramalho; de fato, suas semelhanças com o dono de clássicos como “Avôhai” e “Chão de Giz” são muitas. Portando seu violão e acompanhado de percussão, Carlos Silva misturava canções com declamações de poesia e cordéis.

Novo cd do Otto: por que ele acordou de sonhos intranquilos?

“Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” é quase o começo de A Metamorfose do escritor Franz Kafka, romance no qual o personagem principal acorda metamorfoseado em um inseto (aparentemente, uma barata). Mas é também o título do quarto álbum de Otto Maximiliano Pereira de Cordeiro Ferreira, o Otto - músico pernambucano, nascido em Belo Jardim.








Otto de fato acordou de sonhos intranqüilos tendo que enfrentar por seis anos a batalha que é se fazer música neste país, tendo a carreira marcada por relações conflituosas com gravadoras. O músico diz que elas, as gravadoras, se preocupam muito com os números e que isso evidentemente tira muito da sua autonomia em relação ao trabalho que é realizado. A velha cobrança mercadológica que nunca teve muito a ver com Otto e com qualquer outro músico que tenha uma relação amorosa e respeitosa com a música fez com que este disco fosse lançado primeiro nos Estados Unidos do que aqui. O porquê? Otto afirma que aqui nem quiseram ouvir suas propostas. Já nos EUA o lançamento desse álbum foi motivo de disputa entre quatro gravadoras.


O último batuque


Quem foi ao carnaval de Olinda com certeza ficou maravilhado com a diversidade e a ausência de censura, e não é muito diferente em Recife, onde aconteceu uma variedade de shows para todos os gostos musicais, inclusive o que seria o último show do Cordel do Fogo Encantado. 

Se com um mínimo batuque um público apaixonado já se agita, imagine quando surge a aparição sempre marcante de Lirinha. O público foi ao delírio, como se cada um ali presente estivesse queimando com o encanto emanado pela poesia em meio os baques dos tambores.

Universo Paralello 10

| por Uyatã Rayra |



Uma semana transpsidental! Este é o adjetivo que julgo ser o mais adequado para definir a minha segunda experiência no maior festival de cultura alternativa do Brasil: Universo Paralello.

Ao atravessar a linha fronteiriça que separa o festival do resto do mundo é necessário despir-se de qualquer resquício de convencionalismo medíocre. Um pouso em outra dimensão terrena, e a ânsia de cerrar os olhos físicos para engendrar o despertar de uma nova visão: Expansão Mental. É isso mesmo que lhes descrevo! Toda exacerbação presente na minha descrição é ínfima perante a abundância sinestésica que houve naquele espaço.

Noite bluseira em Feira de Santana – Segunda parte


O Clube de Patifes, o disco novo e o show


Difícil não pensar no Clube de Patifes quando o tema é a história recente do rock em Feira. Até onde sei, nenhuma banda está aqui a mais tempo em atividade do que eles. E isto não significa simplesmente tocar e compor, mas sobretudo fazer com que as coisas aconteçam em nossa pacata cidade, onde segundo Pablues (um dos melhores nomes que um roqueiro feirense já endossou, sem ironia) as pessoas envelhecem e sobrevivem juntas. “Eu faço a Feira, eu vivo na Feira”. Além de trecho de uma das canções do disco novo, este me parece ser o lema fundamental da banda.

Fenômeno no Twitter comprova importância da banda Los Hermanos



Algum filósofo disse: “Tudo pode ser mais útil do que sua utilidade primeira”. Concordo com esta afirmação e já adianto com um exemplo: o twitter, para além das suas funções já conhecidas, me foi útil para perceber a marca profunda que a banda Los Hermanos deixou no Brasil do final do século XX e início do século XXI. Dê login com seu twitter, vá na caixa de pesquisa e digite “carnaval”. É provável que se assuste: a maioria dos tweets, agora que já acabou o carnaval, possui a seguinte frase no seu conteúdo: “Todo Carnaval tem seu fim”. Como se sabe – não adianta negar, você sabe – essa frase é um verso e também título de uma canção dessa banda hoje mítica. As ocorrências de tweets com essas frases são muitas; algumas poucas da de Chico Buarque (“me guardando para quando o carnaval chegar”), mas nada que assuste. Vejamos alguns exemplos:

denitess: Todo Carnaval Tem Seu Fim (:

Mi_ushida: Todo carnaval tem seu fim...agora sim 2010 pode começar!!!!

emersonnnnnn: o véio....prq todo pobre zé ruela depois do carnaval coloca no nick: "todo carnaval tem seu fim" sejam mais criativosss....... [esse aqui foi mais, digamos, criativo]

lappiwish Ja dizia o barbudo "Todo carnaval tem seu fim" AINDA BEM

bento_magalhaes Getchoo, do Weezer = Todo Carnaval Tem Seu Fim, do Los Hermanos.

FilipeLour Todo carnaval tem seu fim... graças a Deus!

lila_melo RT @marinadebrito: porque todo carnaval tem seu fim? :/

lii_ra todo carnaval tem seu fim ♪ só pq acabou faz tempo e ninguém fez essa piada :( [ninguém???????????????????????]

tainatomaz Frase de msn mais usada no momento : "Todo carnaval tem seu fim..." , so no meu msn tem 5 com essa frase hauahuahauhahauahu

cakes__ Todo carnaval tem seu fim, já diria o grande Camelo.

garritoo Todo carnaval tem seu fim.... todo carnaval tem seu fim, é o fim, é o fiimmmmmm!!!

Noite bluseira em Feira de Santana - Primeira parte


Breve comentário sobre os roqueiros e o 
ambiente rocker em Feira nos últimos 10 anos



Estava sentado ao lado de um amigo de meu irmão, e por tabela meu também, o ilustríssimo William, numa das mesas do bonito Antiquário Pub, assistindo ao show da Valentina, banda soteropolitana que fazia então sua primeira apresentação na cidade. Comentávamos ali sentados como dois sexagenários as mudanças que a “cena” rocker em Feira sofreu nos últimos dez anos. Em certo momento, observei: “é, William, pelo menos hoje em dia uma banda pode facilmente ‘postar’ uma foto na internet, não precisa scannear primeiro... e fora isso, esse Antiquário dá dez a zero no Mc Rei!”. William acrescentou que a sua primeira guitarra fora uma “falsa Tonante”, comprada a época por 50 reais de segunda mão, e hoje em dia possui uma Epiphone SG, ou seja, está mais fácil ter melhores instrumentos, tirar melhores sons. Lembro aqui do primeiro show que fiz com o meu incipiente conjunto de rockabilly, eu tocava uma “Gianninni” modelo jazz master do tempo do meu avô. Tive de fazer o show parado porque caso me movesse demasiado, corria o risco da guitarra falhar em pleno palco. Os fios dos captadores além de oxidados, estavam toscamente presos por fitas isolantes. Embora pareça agora um fato isolado, a questão que essa era a realidade da maioria das bandas em Feira: a escassez completa de recursos. Bateria era artigo raro. A única que a minha banda conseguiu comprar havia pertencido ao Beuzerblues (mítica banda de R&B feirense de meados dos anos noventa), salvo engano era mais velha que a média de idade minha e dos meus amigos.

40 anos

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1970 é recheado de acontecimentos importantes. Foi por exemplo o ano do tri, quando a mais imbatível de todas as equipes canarinho ergueu a taça da copa do México. Nele também os Beatles acabaram e Jimi Hendrix afogou-se em seu próprio vômito.  Durante o ano a Apollo 13 subiu aos céus (e quase não volta) tentando chegar à Lua, sem sucesso. Outras milongas aconteceram, mas busquei aqui dedicar atenção especial ao mês de fevereiro de 1970, quando é lançado Black Sabbath, disco importantíssimo para a história da música popular contemporânea, que nos apresenta ao lendário grupo britânico e à sonoridade que se convencionou chamar posteriormente de Heavy Metal. Alguns atribuem ao Zeppelin, aos Yardbirds ou a outras bandas da época a paternidade do Metal, mas este subgênero da música só vai ser encontrado em todos os seus meandros no disco de estréia do Black Sabbath. Temas ocultistas, vocais angustiantes e um peso desconhecido até então definem as seis faixas do álbum. 

Dos que tentam e dos que conseguem Ou dos que se tem por satisfeitos



Imaginemos se Caetano Veloso ou Gilberto Gil decidissem parar de fazer música, seria tal o nosso espanto que chegaríamos a cogitar que eles estivessem sofrendo de ausência de lucidez, possivelmente devido à idade já avançada. O mesmo não acontece na literatura, os casos de escritores que deixaram o fazer literário de lado ainda em vida são recorrentes e todos muito cheios de fetiche. Alguns ficam anos sem publicar nada e de repente ouvimos os rumores de que ele voltará com as publicações, é uma espécie de ressurreição.

Existem muitos que não publicam mais e explicam o porquê, Raduan Nassar, por exemplo, diz que perdeu a paixão pela ficção e hoje nem lê mais livros, apenas “prospectos sobre agricultura”, hoje não faz nada mais além de se dedicar a plantações em fazendas. Exigiria a literatura de seu feitor alguma coisa que possa ser esgotável?

O equívoco com a canção e/ou Gilberto Gil no Teatro Castro Alves - PARTE II

leia a primeira parte do texto clicando aqui

Uma vez disse a um casal amigo que não bestializo minha ida ao TCA. Estávamos atravessando a rua defronte ao teatro e naquela noite iríamos ouvir Gilberto Gil no “Música Falada”, tipo de espetáculo promovido por uma rádio local que concernia em misto de entrevista e apresentação musical do convidado em pauta. Se não me engano, Marcelo Nova havia participado uma semana anterior e, depois de Gil, Margarete Menezes (fantástica, na minha opinião), fecharia a temporada 2009. Tinha boas expectativas em relação à apresentação porque até então não havia pego um show de Gil em condições favoráveis: leia-se devidamente acomodado numa poltrona e num lugar tão estimado, o qual, retifico, jamais bestializarei minha presença.

O show, no entanto, foi asséptico. A cada hora que Gil falava de si eu entendia cada vez mais que a sua verve criadora já estava dada por satisfeita em vista da obra que produziu. Percebi ali um Gil mais intérprete de si do que propriamente o cantor/compositor que tanto me admira. Quando perguntaram sobre os projetos futuros, ele fez uma demorada explicação para dizer que não tinha mais necessidade de criar desesperadamente e que não havia muita chance de chegar algo novo por muito tempo. “Estou começando a me recolher”, referindo-se a idade avançada e seu desejo por um fim de vida sossegado.