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Futebol, PSOL e sangue

|Por João Daniel G. Oliveira*|


Eu nunca gostei do goleiro Bruno. Sempre tive uma antipatia tremenda por ele e, no futebol em geral, costumo nutrir antipatias semi-gratuitas com jogadores que em sua maioria são goleiros. No caso do Brasil, quase todos passaram pelo Flamengo: eu detesto Julio Cesar desde sempre e não gostava de Clemer quando ele defendia o Mengão. Juro para vocês que eu não tenho nada contra o Flamengo – é apenas uma coincidência.

O cabalístico 102


Segundo o Aurélio, a modéstia é a ausência de vaidade, a simplicidade, a despretensão e a desambição. Modéstia à parte, me considero o melhor detetive do mundo atual em atividade. Meu trabalho é lento, porém sempre logro êxito. Prova disso é que, embora tenha demorado vários dias, já descobri quem é o Skinhead Socialista que gosta de futebol (o revelarei num futuro post com as devidas provas). Para além dos trabalhos de espionagem ortodoxos, possuo uma grande qualidade: analiso vários casos ao mesmo tempo. Portanto, venho dissertar sobre outro caso intrigante que ocorre nesta Feira de Santana: o caso do número 102 nos livros da biblioteca da Universidade Estadual de Feira de Santana.

Contra a organização da miséria


Permitam-me apresentar-me: meu nome é Johnny Boy. As regras da língua me obrigam a utilizar ênclises duas vezes seguidas; não me soa bem, mas não vejo alternativas outras. Sou um detetive baiano, mas para criar minha própria marca não preciso me utilizar de sotaques fortes ou expressões típicas. Sou um alter-ego de João Daniel, membro da Transa Revista. Às vezes surjo para tentar desvendar grandes mistérios dessa Feira de Santana. Para mim, não há Nova York, Paris, Rio de Janeiro certos – Feira é a representação de todas as cidades do mundo. Hoje, neste primeiro relato, venho para tentar descobrir quem é o lendário parafraseador da frase que dá título ao meu texto.

Se você, caro leitor, costuma passar pela Avenida José Falcão, a pé ou dentro de um automóvel, notará, se possuir perspicácia para tal, uma pichação/um pichamento num muro branco bem grande, próximo aos prédios e condomínios que ambientam o Conjunto do Centenário do bairro da Queimadinha. Ela, em letras garrafais, finas e redondas, mostra a já referida frase-título e também revela seu autor: o poeta chileno Pablo Neruda. A primeira vez que vi me assustei: não conhecia a frase e esta me pareceu um tanto incoerente. Como assim “organização da miséria”? Existe miséria organizada? A crítica está sendo feita a quem? Ou, para além de uma crítica, é apenas um dito jocoso em seu típico - mas para nós, insólito - humor chileno?