Dunas

Texto Ed Samper*
Arte Don Guto*






Havia uma mulher que colhia panos das bordas de uma lagoa que agonizava por sabão e sapos. O cheiro não era de mar, o sabão já não tinha cheiro e a mulher colhia sapos mortos das bordas de suas roupas fétidas. Não eram suas as roupas: lavava trouxas daqueles que passavam cheques que ela deixava acumular para ir uma única vez ao banco para ir uma só vez às compras que alimentavam seus nove que não tinham pai cuja existência fora levada pelo compadre Bento numa discussão em meio a retângulos brancos marcados por diminutos círculos pretos, goles de malte com cevada e golpes de peixeira...